terça-feira, 29 de maio de 2012

Minha relação com o trabalho

    Meus relacionamentos com seres humanos nunca foram um exemplo. Se gosto de uma pessoa, sou completa dedicação, porém se não gosto, não consigo conviver e evito o máximo que posso.
    Antigamente eu depositava expectativas e confiança demais nas pessoas, a partir da primeira impressão, ou dos primeiros contatos com a mesma. Pouco tempo de convivência era suficiente pra me fazer acreditar que aquela pessoa era ótima. Mais tarde, quando começava a conhecer a pessoa mais detalhadamente, a decepção era gigantesca. Não posso dizer que mudei, mas pelo menos agora tenho consciência de que as primeiras e boas impressões, na grande maioria das vezes, são criações da minha mente, que parece não querer ver os defeitos de ninguém.
    Ainda tenho muita dificuldade em entender que seres humanos são feitos de inúmeras características. Pra mim, uma pessoa é totalmente boa, ou totalmente má. Pisar no meu calo uma única vez é suficiente pra me fazer perder a paciência e querer distância dessa pessoa pra sempre. E quando digo pra sempre, falo sério.
    No trabalho não podia ser diferente. Sei que sou exagerada, mas os chefes que eu tive foram todos processados por outros funcionários, então, não é coisa da minha cabeça. No começo tudo parece perfeito, salário combinado, bom humor, companheirismo e etc... Depois de um tempo começam os abusos, o excesso de trabalho, o curto período pra entrega dos mesmos, o mau humor matinal de ambas as partes, as grosserias, a ignorância, a completa falta de colaboração, entre outros.
     Sou muito observadora. Gosto de ser tratada bem, não suporto grosseria. É me apresentar uma grosseria, pra perder a minha simpatia. E o trabalho constante me obrigava a conviver com isso, grosseria pura todos os dias.
    Não tenho essa capacidade que as pessoas têm de seguir a mesma rotina de trabalho por 30 anos. Conviver diariamente com pessoas insuportáveis, me corroía a alma. Eram 8 horas por dia, 6 dias por semana, perdendo tempo da minha vida com pessoas chatas, que de mim, só queriam a exploração do meu trabalho, e que fosse entregue além da perfeição.
    Agora trabalho como free lance. Vou até o local de trabalho, quando há algo pra mim, pego minha grana e vou embora. Sem stress, sem rotina, sem obrigações, sem ter de aguentar desaforo, e sem ter de cumprir horário, olhando pras paredes até a hora de ir embora, enquanto o chefe cara de bunda me observa. Um alívio, um paraíso.
    Meu psiquiatra quando soube, disse que era preciso assumir responsabilidades, que eu não podia viver assim pra sempre, que eu preciso cumprir horários e seguir a mesma ladainha que todos seguem e bla bla bla. Não sei se ele tem razão. Mas o que sei, é que me encontro 1 milhão de vezes melhor agora que decidi agir dessa forma.
     A rotina me faz um mal enorme, eu me sentia sem vida. Me sentia presa naquela condição. Hoje me sinto livre, e a sensação de liberdade me faz feliz. Não preciso de muito dinheiro, não quero enriquecer. Se continuasse da forma que estava, eu ia era perder a minha vida, ou tirá-la em breve.
    Estou feliz assim. Sou feliz tendo a liberdade de ser eu mesma e de conviver com as pessoas quando estou bem pra isso e não todos os dias, por obrigação. Não me importo com o que os outros irão pensar ou dizer a respeito, só que importo com o que eu sinto. E me sinto bem assim.
     Não tenho uma profissão de glamour, não corro atrás de status, não estou preocupada em parecer a mais competente. Sou uma pessoa com sérias dificuldades de convivência, devido aos meus problemas psiquiátricos. Não vou tentar ser mais do que eu consigo, apenas pra agradar a sociedade. Tenho que saber dos meus limites e consequentemente, respeitá-los. É isso que estou fazendo, respeitando meus limites, pra que eu possa sobreviver.












segunda-feira, 28 de maio de 2012

Dando notícias....

     Nestes últimos 3 meses sem dar as caras, tenho tentado esquecer um pouco o que eu sou. Esquecer o transtorno, ler menos sobre o assunto e buscar fazer coisas novas. Funcionou! Melhorei consideravelmente. Passei bastante tempo sem derramar uma lágrima sequer. Surtei menos, briguei menos, me senti menos mal. Consegui fazer outras coisas além de me trancar no quarto e tentar esquecer que tenho uma vida.
     Me envolvi com mais trabalho voluntário e voltei a fazer meu trabalho em banho e tosa. Procurei ocupar mais meus dias, com filmes, livros, caminhadas, palestras no centro espírita...não fugi mais das amigas e voltei a vê-las e a atender o telefone. Fiz uns amigos novos, que são muito parecidos comigo (exceto na depressão), que me fazem ver o mundo de uma maneira diferente. Estou tendo mais contato com pessoas de bem, que se esforçam pra mudar a realidade triste do mundo, o que me deixa mais animada.
    O psiquiatra é realmente ótimo, e teve boa participação na minha melhora, mas, não via mais sentido em pagar pra alguém me dizer uma baboseiras durante 30 min a cada 15 dias. Eu não tinha assunto. Conversava sobre qualquer outra coisa, menos sobre o que interessa. A verdade é que não fez a mínima falta. Além de tudo, me sentia nervosa e ansiosa quando tinha de ir até lá. Parei de ir.
    Parei de tomar a medicação por umas 2 semanas e quase morri. A abstinência foi pior do que os efeitos colaterais da época em que comecei a tomar a medicação. Fiquei bem nervosa, bem ansiosa, bem pra baixo. Sentia uma espécie de choque elétrico na cabeça com frequência. Meu apetite simplesmente sumiu. Não conseguia nem beber água. Parecia que meu estômago tinha sido reduzido ao tamanho de um grão de feijão. Não conseguia ingerir nada. Comecei a tremer constantemente e sentir fortes enjoos. Foi aí que decidi voltar a tomar e fui procurar outra médica, que me deu mais umas caixas e me pediu pra ir diminuindo a quantidade aos pouquinhos. Por enquanto estou indo bem. Estou tomando meio comprimido de escitalopram de 10 mg.
     Vou mudar de cada em breve. Vou morar com o meu namorado. Ele é um doce como sempre, mas sair de perto dos meus pais, não me agrada nada. Ainda detesto mudanças e não gosto de ter de assumir que não sou mais criança, pois me sinto uma.
     Não estou muito legal, mas a tentativa continua. Se for pra continuar, que seja em boas condições. Não quero passar a vida sentindo coisas ruins. Tenho que me esforçar. E nem quero atrapalhar a vida de ninguém com as minhas neuroses. Se for pra ficar mal, que seja sozinha, num canto só meu, longe de todo mundo. Mas ficar choramingando na frente dos outros, não é a minha praia.
     Vou ajudar meu namorado com um site e uma loja virtual. Mais uma fonte de renda, e oportunidade de distração. Espero que dê certo.
     Deixei o grupo de apoio a portadores de transtorno borderline no facebook, do qual eu participava. Aquilo estava me enlouquecendo mais ainda. Apesar da proposta principal ser a troca de experiências e o apoio, as brigas e o egoísmo me deixavam triste. Aliás, estava me sentindo exposta demais, mesmo sem dar muita opinião por lá.
    Dizem que se conselho fosse bom, seria vendido, mas enfim, vou dar um conselho, mesmo que seja uma porcaria. Acho que manter-se um pouco afastado do rótulo de borderline, ajuda bastante. Achei interessante não pensar nisso. Eu acordo, tomo minha medicação e sigo o resto do dia, sem pensar no meu problema. E mesmo que os sintomas apareçam, eu tento não atribuí-los ao transtorno. Esquecer me fez um bem enorme. Recomendo que tentem fazer o mesmo. Não é fácil, mas é gratificante.