terça-feira, 16 de julho de 2013
O problema das frustrações
Está perto ou já completou um ano que estou sem terapia e medicação. Ia indo bem até agora. Mas como de costume, o inverno traz consigo seus dissabores. Me irrita o fato de haver tantos que sofrem com o frio, enquanto eu posso fazer tão pouco ou quase nada a respeito. Mas como uma amiga minha me disse, sempre é inverno em algum lugar do mundo.
O verão me dá a falsa ilusão de as coisas não são tão ruins assim, mas a verdade é que é e sempre será. Acho a sociedade estúpida, o sistema ridículo, não tenho nenhuma paciência pra nada nem ninguém. Me sinto muito culpada por isso. Minha paciência tem um limite bem curto. Ando com aquela vontade de fugir de tudo e todos, me trancar no meu quarto e esquecer que o mundo é mundo, que eu existo ou que faço parte de toda essa coisa da qual não me acostumo.
Penso em voltar ao psiquiatra, não o mesmo, um novo. Meu namorado está frequentando um que me parece ser aquilo que preciso agora. Quero apenas alguma medicação que me acalme e me faça ficar menos irritada. Não quero terapia, não quero conversar. Me sinto culpada por conversar pouco com meus amigos. Se pouco falo com eles, quem dirá com um estranho que está sendo pago pra ouvir minhas reclamações sobre a vida.
Gostaria de tentar entender o motivo que me fez ser tão avessa. Tão estranha, tão carta fora do baralho, tão quebra-cabeça faltando peça. Parece que fui criada com erro grave de fabricação. Vou sempre contra a maré. Em alguns sentidos até é bom, mas em outros torna a vida tão sofrida.
Desanimo porque pareço bem. Passei tanto tempo bem, sem sinal nenhum dessa joça. Tive poucos dias de crise durante esse tempo. Mas saí da casa dos meus pais, o que não foi nada fácil pra mim. Coloquei um negócio que não deu certo. Abri outro negócio que está prestes a fechar e me deixar cheia de livros de ponta de estoque entulhados nas prateleiras dos fundos da casa alugada. Precisei vender o carro pra pagar apenas parte de uma dívida adquirida com essa brincadeira toda de tentar trabalhar por conta própria. Passei pro tudo isso numa boa, totalmente na boa. Tive dias ruins, isso é certo. Mas nada comparado ao que poderia ter sido.
Agora depois de passar por tudo com a cabeça erguida. me vejo novamente escrava da minha incapacidade de lidar com frustrações. Alguém que é grosso comigo ou fala de um jeito que eu não gosto de ouvir. A gripe do namorado, a ressaca do pai, a verminose nos cachorros. Tudo! Absolutamente tudo me faz ficar mal. Passei a madrugada acordada por causa da verminose nos cachorros. Fui trabalhar morrendo de sono e detestando tudo. E agora aqui estou, deixando de cumprir um trabalho voluntário no centro espírita, por ser incapaz de lidar com as pessoas neste estado.
O grande problema é que infelizmente não sei mais fingir tão bem quanto antigamente. Eu fui boa em esconder o que eu sinto por muito tempo, mas essa época ficou pra trás juntamente com os outros sintomas, e isso não voltou. Não tenho mais o jogo de cintura necessário pra fingir que tudo está bem. Hoje simplesmente não poderia ir até lá, fingir ser simpática e sorrir pra literalmente 300 pessoas, tentando fazer com que elas se sintam melhores quando na verdade, eu também preciso de ajuda.
Acho que é chegado um momento em que não dá pra fingir que sou uma pessoa saudável mentalmente. Consegui me manter um tanto mais equilibrada durante esse tempo, mas acho que a brincadeira de ser saudável acabou.
Bom, no mais voltei a estudar. Vou finalmente terminar aquelas matérias deixadas pra trás a muito tempo e no próximo ano espero já estar cursando letras. Estou fazendo meus trabalhos de banho e tosa como freelancer e vivendo com o meu namorado que me entende melhor do que ninguém.
Espero trazer novas e boas notícias no próximo post. O que sei é que preciso de um médico. E por enquanto preciso dormir.
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