Meus relacionamentos com seres humanos nunca foram um exemplo. Se gosto de uma pessoa, sou completa dedicação, porém se não gosto, não consigo conviver e evito o máximo que posso.
Antigamente eu depositava expectativas e confiança demais nas pessoas, a partir da primeira impressão, ou dos primeiros contatos com a mesma. Pouco tempo de convivência era suficiente pra me fazer acreditar que aquela pessoa era ótima. Mais tarde, quando começava a conhecer a pessoa mais detalhadamente, a decepção era gigantesca. Não posso dizer que mudei, mas pelo menos agora tenho consciência de que as primeiras e boas impressões, na grande maioria das vezes, são criações da minha mente, que parece não querer ver os defeitos de ninguém.
Ainda tenho muita dificuldade em entender que seres humanos são feitos de inúmeras características. Pra mim, uma pessoa é totalmente boa, ou totalmente má. Pisar no meu calo uma única vez é suficiente pra me fazer perder a paciência e querer distância dessa pessoa pra sempre. E quando digo pra sempre, falo sério.
No trabalho não podia ser diferente. Sei que sou exagerada, mas os chefes que eu tive foram todos processados por outros funcionários, então, não é coisa da minha cabeça. No começo tudo parece perfeito, salário combinado, bom humor, companheirismo e etc... Depois de um tempo começam os abusos, o excesso de trabalho, o curto período pra entrega dos mesmos, o mau humor matinal de ambas as partes, as grosserias, a ignorância, a completa falta de colaboração, entre outros.
Sou muito observadora. Gosto de ser tratada bem, não suporto grosseria. É me apresentar uma grosseria, pra perder a minha simpatia. E o trabalho constante me obrigava a conviver com isso, grosseria pura todos os dias.
Não tenho essa capacidade que as pessoas têm de seguir a mesma rotina de trabalho por 30 anos. Conviver diariamente com pessoas insuportáveis, me corroía a alma. Eram 8 horas por dia, 6 dias por semana, perdendo tempo da minha vida com pessoas chatas, que de mim, só queriam a exploração do meu trabalho, e que fosse entregue além da perfeição.
Agora trabalho como free lance. Vou até o local de trabalho, quando há algo pra mim, pego minha grana e vou embora. Sem stress, sem rotina, sem obrigações, sem ter de aguentar desaforo, e sem ter de cumprir horário, olhando pras paredes até a hora de ir embora, enquanto o chefe cara de bunda me observa. Um alívio, um paraíso.
Meu psiquiatra quando soube, disse que era preciso assumir responsabilidades, que eu não podia viver assim pra sempre, que eu preciso cumprir horários e seguir a mesma ladainha que todos seguem e bla bla bla. Não sei se ele tem razão. Mas o que sei, é que me encontro 1 milhão de vezes melhor agora que decidi agir dessa forma.
A rotina me faz um mal enorme, eu me sentia sem vida. Me sentia presa naquela condição. Hoje me sinto livre, e a sensação de liberdade me faz feliz. Não preciso de muito dinheiro, não quero enriquecer. Se continuasse da forma que estava, eu ia era perder a minha vida, ou tirá-la em breve.
Estou feliz assim. Sou feliz tendo a liberdade de ser eu mesma e de conviver com as pessoas quando estou bem pra isso e não todos os dias, por obrigação. Não me importo com o que os outros irão pensar ou dizer a respeito, só que importo com o que eu sinto. E me sinto bem assim.
Não tenho uma profissão de glamour, não corro atrás de status, não estou preocupada em parecer a mais competente. Sou uma pessoa com sérias dificuldades de convivência, devido aos meus problemas psiquiátricos. Não vou tentar ser mais do que eu consigo, apenas pra agradar a sociedade. Tenho que saber dos meus limites e consequentemente, respeitá-los. É isso que estou fazendo, respeitando meus limites, pra que eu possa sobreviver.
Te entendo perfeitamente. Eu consegui permanecer pouco mais de um ano num emprego, mas foi difícil. Também nem penso em fazer faculdade, pq sei que não conseguiria. Eu terminei o ensino médio ano passado, pq parei de estudar com 15 anos. E ambas as vezes, foi por desentendimento tanto com professores, como com colegas. Sei que não é possível pra mim e não quero mais essa decepção. Sem falar que sem emprego fixo, e pouca cabeça, não tem nem como pagar, e nem como ganhar bolsa ou passar em federal. Sem condições mesmo. Mas to legal assim e é isso que importa. Também não quero pensar muito em mim agora.
ResponderExcluirObrigadão pelo comentário Gabriela. Bjs