segunda-feira, 28 de maio de 2012

Dando notícias....

     Nestes últimos 3 meses sem dar as caras, tenho tentado esquecer um pouco o que eu sou. Esquecer o transtorno, ler menos sobre o assunto e buscar fazer coisas novas. Funcionou! Melhorei consideravelmente. Passei bastante tempo sem derramar uma lágrima sequer. Surtei menos, briguei menos, me senti menos mal. Consegui fazer outras coisas além de me trancar no quarto e tentar esquecer que tenho uma vida.
     Me envolvi com mais trabalho voluntário e voltei a fazer meu trabalho em banho e tosa. Procurei ocupar mais meus dias, com filmes, livros, caminhadas, palestras no centro espírita...não fugi mais das amigas e voltei a vê-las e a atender o telefone. Fiz uns amigos novos, que são muito parecidos comigo (exceto na depressão), que me fazem ver o mundo de uma maneira diferente. Estou tendo mais contato com pessoas de bem, que se esforçam pra mudar a realidade triste do mundo, o que me deixa mais animada.
    O psiquiatra é realmente ótimo, e teve boa participação na minha melhora, mas, não via mais sentido em pagar pra alguém me dizer uma baboseiras durante 30 min a cada 15 dias. Eu não tinha assunto. Conversava sobre qualquer outra coisa, menos sobre o que interessa. A verdade é que não fez a mínima falta. Além de tudo, me sentia nervosa e ansiosa quando tinha de ir até lá. Parei de ir.
    Parei de tomar a medicação por umas 2 semanas e quase morri. A abstinência foi pior do que os efeitos colaterais da época em que comecei a tomar a medicação. Fiquei bem nervosa, bem ansiosa, bem pra baixo. Sentia uma espécie de choque elétrico na cabeça com frequência. Meu apetite simplesmente sumiu. Não conseguia nem beber água. Parecia que meu estômago tinha sido reduzido ao tamanho de um grão de feijão. Não conseguia ingerir nada. Comecei a tremer constantemente e sentir fortes enjoos. Foi aí que decidi voltar a tomar e fui procurar outra médica, que me deu mais umas caixas e me pediu pra ir diminuindo a quantidade aos pouquinhos. Por enquanto estou indo bem. Estou tomando meio comprimido de escitalopram de 10 mg.
     Vou mudar de cada em breve. Vou morar com o meu namorado. Ele é um doce como sempre, mas sair de perto dos meus pais, não me agrada nada. Ainda detesto mudanças e não gosto de ter de assumir que não sou mais criança, pois me sinto uma.
     Não estou muito legal, mas a tentativa continua. Se for pra continuar, que seja em boas condições. Não quero passar a vida sentindo coisas ruins. Tenho que me esforçar. E nem quero atrapalhar a vida de ninguém com as minhas neuroses. Se for pra ficar mal, que seja sozinha, num canto só meu, longe de todo mundo. Mas ficar choramingando na frente dos outros, não é a minha praia.
     Vou ajudar meu namorado com um site e uma loja virtual. Mais uma fonte de renda, e oportunidade de distração. Espero que dê certo.
     Deixei o grupo de apoio a portadores de transtorno borderline no facebook, do qual eu participava. Aquilo estava me enlouquecendo mais ainda. Apesar da proposta principal ser a troca de experiências e o apoio, as brigas e o egoísmo me deixavam triste. Aliás, estava me sentindo exposta demais, mesmo sem dar muita opinião por lá.
    Dizem que se conselho fosse bom, seria vendido, mas enfim, vou dar um conselho, mesmo que seja uma porcaria. Acho que manter-se um pouco afastado do rótulo de borderline, ajuda bastante. Achei interessante não pensar nisso. Eu acordo, tomo minha medicação e sigo o resto do dia, sem pensar no meu problema. E mesmo que os sintomas apareçam, eu tento não atribuí-los ao transtorno. Esquecer me fez um bem enorme. Recomendo que tentem fazer o mesmo. Não é fácil, mas é gratificante.
 

3 comentários:

  1. Adorei teu post, tua melhora, tb me sinto assim em relação ao grupo do face e as vezes me parece que as pessoas primeiro leem o sintoma depois procuram se encaixar, claro que não são todos. Mas lê tb parece sugestionável pra mim. Feliz por vc espero chegar a isso, conseguir ter um relacionamento estável e sair da casa dos meus pais. De muito valor a isso, porque sei que é muita força de vontade, muita luta chegar aí, um dia chegarei. bye

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    1. Obrigada Sentir!!! E vc tem razão, também acho que parece que as pessoas leem os sintomas e procuram se encaixar. Parece uma briga por quem se encaixa mais, sei lá. Realmente foi bem difícil ter um relacionamento estável, ainda enfrento dificuldades, mas estou melhorando. Vamos ver como me saio! Obrigada pelo comentário. Estarei na torcida pela tua recuperação. Bjs

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  2. Olha eu fiquei feliz de ler isso, vou ser sincera, eu por um momento pensei que fosse border, sei lá já achei também que fosse bipolar, mas realmente teve uma hora que eu pensei que fosse o que fosse, não queria um rótulo nem uma doença pra pensar, nem um script, porque quando a dor deixa de fazer sentido, às vezes você se sente vazia porque acostumou se a preencher com aquela dor, algumas dores deixaram de fazer sentido, então pensei foda se vou ser positiva, isso basta, lutar pelo o que quero, às vezes eu choro, me sinto mal ( eu não tenho um diagnóstico) fiquei um ano tomando remédio, ele acabou e eu to sem dinheiro mas estou bem, estou tentando ir sozinha, não quero mais tomar não só pelo dinheiro, a psicoterapia eu vou continuar porque tenho coisas pra resolver, mas mesmo alí não quero carregar a bagagem de quem tem um transtorno, apenas viver...

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