segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Setembro de 2012

   

    Setembro é o mês do meu aniversário e geralmente é um dos meses mais depressivos do ano pra mim, se não o mais. Seguido dos meses de inverno e dias chuvosos.
    Esse mês sempre me deixou triste, desde a infância. Lembro que eu até evitava ir pra escola no dia do meu aniversário, e se fosse, tentava passar horas no banheiro. O dia do meu aniversário e os dias que o antecedem, sempre me fizeram chorar. Não sei explicar ao certo o motivo da tristeza, mas ela é real e muito forte.
    Acredito que eu sempre esperei ser tratada diferente nesse dia, sempre quis que alguém me dissesse que eu era especial, e isso aconteceu poucas vezes. Como se o tempo não passasse todos os dias, especificamente no dia do meu aniversário eu me sinto mais próxima dos meus medos. Me sinto mais próxima das responsabilidades futuras, mais próxima de perder meus pais, minha família toda e ser uma velha rancorosa.
    Neste ano, as coisas não estão nem de longe, como estavam nos anos passados. Estou bem, apesar de estar constantemente lutando contra as oscilações de humor e a depressão que teima em aparecer. Mas claro que comparado ao ano passado, que me vi no fundo do poço, totalmente sem esperanças, desta vez estou muito melhor.
    Aprendi que não devemos depositar confiança ou colocar a nossa felicidade nas mãos de outras pessoas. Não importa se ou ou não especial pra alguém, isso não deve governar a minha vida. Eu devo ser especial pra mim mesma e me preocupar em estar bem comigo, antes de qualquer outra coisa.
    Não sou mais escrava de amor alheio por mim, pois era isso que eu era. Pra estar bem, eu necessitava que alguém estivesse o tempo inteiro declarando amor eterno por mim. Lembro que por várias vezes perguntei aos meus ex e atual namorado, o que eles fariam se eu morresse. E se eles ousassem pensar, eu já me sentia o pior dos seres humanos. Pois eu queria que imediatamente, ouvir que eles não viveriam sem mim.
     Fui uma egoísta a maior parte da minha vida, no sentido amoroso. Sempre quis ser mais amada, pra depois amar. Sempre quis ser "a vida" de alguém. O que eu não entendia é que isso não existe. Ninguém pode ser a vida de ninguém. Somos seres individuais, e é cada um por si. Enquanto desejarmos que os outros nos façam sentir-nos especiais, não seremos felizes.
     Na verdade também acho que a pura felicidade não existe. Existem momentos bons e momentos ruins na vida da gente. Ninguém é totalmente feliz o tempo todo. E estar triste, não quer dizer que não podemos sorrir as vezes.
     Então, em decorrência disso tudo, meu setembro tem sido melhor este ano. Pois descobri que a única pessoa que precisa estar presente sou eu. A única pessoa que precisa ser forte sou eu, ninguém precisa segurar as pontas por mim.
    Claro que não estou perfeitamente bem e nem pulando de felicidade. Apesar de ter a certeza de que tenho tudo que preciso pra ser feliz, ainda sou uma pessoa com um transtorno de personalidade grave, o que faz de mim uma bomba relógio. Mas estou aprendendo a conviver bem com isso tudo. Se não há cura, tem que haver uma boa convivência entre mim e a doença. E estou aprendendo a lidar melhor com isso.
     Espero que todos que passam pela mesma situação que eu, possam aprender tudo que aprendi com o transtorno. Ele deve servir como experiência de vida. Deve servir para nos ajudar a crescer como pessoas, a nos tornar mais maduros. Jamais deve servir para nos derrubar. Vamos ser fortes e seguir sempre em frente.




Um comentário:

  1. Fico feliz com teu amadurecimento! E, saiba, tu é MUITO especial na vida de muita gente! Há, sim, quem sofreria sem tua presença; há quem se importe contigo e queira te ver bem! Sou uma dessas pessoas, pode apostar!! Gostaria demais que tu tivesse uma visão mais otimista da vida! Tu tem um coração lindo, é uma anã linda, e além de tudo é saudável, inteligente, honesta e batalhadora! Sei que tu vai ser MUITO feliz e bem-sucedida na tua vida. Acredita em mim!! Beijo no teu coração, minha amiga!! :)

    ResponderExcluir