Devo um post decente. E continuarei devendo...
Eu odiava quando acompanhava blogs que ficavam desatualizados por um grande período ou eram bloqueados e desbloqueados sem mais nem menos. Ninguém deve acompanhar minha desinteressante vida, mas se for o caso, cá estou para dizer que ainda vivo.
Ainda vivo e vivo melhor quando ignoro o diagnóstico de borderline. Sem blogs, sem livros, sem filmes. Desde que resolvi me ver simplesmente como eu e não como um diagnóstico, me sinto muito melhor. Tenho controlado muito bem os sintomas. Alguns deles ainda são muito fortes, mas nada que atrapalhe demais a minha vida.
O motivo de eu estar tão ausente do blog, não é apenas pela decisão de "esquecer", mas sim pela falta de tempo. Completando um ano da falência da minha loja entre outros milhares de acontecimentos que poderiam ter me derrubado e não derrubaram, acabo de iniciar uma nova fase. Detesto mudanças, mas o que mais acontece comigo nesses últimos anos, são mudanças.
Iniciei num novo emprego, como vendedora. O horário é flexível e me permite ter insônia e acordar tarde no dia seguinte. Sigo então com o trabalho na loja, o trabalho voluntário e estudos(escolares, mediúnicos e musicais). Ou seja, não sobra tempo nem pra responder e-mail. Uma vergonha!
Sempre fui meio "bicho do mato". Não sou o tipo de pessoa que mantêm contatos e gosta muito de conversar. Sou livre, gosto de ser livre. Gosto de não ter de dar satisfações, gosto de não ser obrigada a atender o telefone, gosto de aparecer quando quero, sem me sentir obrigada. Obrigações me sufocam. Não é sempre que tenho saco pra conversa, e agir diferente de como costumo agir seria pura falsidade. Não quero que ninguém tenha de mim uma falsa dedicação.
Escrevo pouco por falta de tempo, falta de paciência e desejo de não me encontrar comigo mesma. É isso. Pra viver bem a minha vida, preciso continuar da forma como me encontro agora. Até breve!
terça-feira, 17 de setembro de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
O problema das frustrações
Está perto ou já completou um ano que estou sem terapia e medicação. Ia indo bem até agora. Mas como de costume, o inverno traz consigo seus dissabores. Me irrita o fato de haver tantos que sofrem com o frio, enquanto eu posso fazer tão pouco ou quase nada a respeito. Mas como uma amiga minha me disse, sempre é inverno em algum lugar do mundo.
O verão me dá a falsa ilusão de as coisas não são tão ruins assim, mas a verdade é que é e sempre será. Acho a sociedade estúpida, o sistema ridículo, não tenho nenhuma paciência pra nada nem ninguém. Me sinto muito culpada por isso. Minha paciência tem um limite bem curto. Ando com aquela vontade de fugir de tudo e todos, me trancar no meu quarto e esquecer que o mundo é mundo, que eu existo ou que faço parte de toda essa coisa da qual não me acostumo.
Penso em voltar ao psiquiatra, não o mesmo, um novo. Meu namorado está frequentando um que me parece ser aquilo que preciso agora. Quero apenas alguma medicação que me acalme e me faça ficar menos irritada. Não quero terapia, não quero conversar. Me sinto culpada por conversar pouco com meus amigos. Se pouco falo com eles, quem dirá com um estranho que está sendo pago pra ouvir minhas reclamações sobre a vida.
Gostaria de tentar entender o motivo que me fez ser tão avessa. Tão estranha, tão carta fora do baralho, tão quebra-cabeça faltando peça. Parece que fui criada com erro grave de fabricação. Vou sempre contra a maré. Em alguns sentidos até é bom, mas em outros torna a vida tão sofrida.
Desanimo porque pareço bem. Passei tanto tempo bem, sem sinal nenhum dessa joça. Tive poucos dias de crise durante esse tempo. Mas saí da casa dos meus pais, o que não foi nada fácil pra mim. Coloquei um negócio que não deu certo. Abri outro negócio que está prestes a fechar e me deixar cheia de livros de ponta de estoque entulhados nas prateleiras dos fundos da casa alugada. Precisei vender o carro pra pagar apenas parte de uma dívida adquirida com essa brincadeira toda de tentar trabalhar por conta própria. Passei pro tudo isso numa boa, totalmente na boa. Tive dias ruins, isso é certo. Mas nada comparado ao que poderia ter sido.
Agora depois de passar por tudo com a cabeça erguida. me vejo novamente escrava da minha incapacidade de lidar com frustrações. Alguém que é grosso comigo ou fala de um jeito que eu não gosto de ouvir. A gripe do namorado, a ressaca do pai, a verminose nos cachorros. Tudo! Absolutamente tudo me faz ficar mal. Passei a madrugada acordada por causa da verminose nos cachorros. Fui trabalhar morrendo de sono e detestando tudo. E agora aqui estou, deixando de cumprir um trabalho voluntário no centro espírita, por ser incapaz de lidar com as pessoas neste estado.
O grande problema é que infelizmente não sei mais fingir tão bem quanto antigamente. Eu fui boa em esconder o que eu sinto por muito tempo, mas essa época ficou pra trás juntamente com os outros sintomas, e isso não voltou. Não tenho mais o jogo de cintura necessário pra fingir que tudo está bem. Hoje simplesmente não poderia ir até lá, fingir ser simpática e sorrir pra literalmente 300 pessoas, tentando fazer com que elas se sintam melhores quando na verdade, eu também preciso de ajuda.
Acho que é chegado um momento em que não dá pra fingir que sou uma pessoa saudável mentalmente. Consegui me manter um tanto mais equilibrada durante esse tempo, mas acho que a brincadeira de ser saudável acabou.
Bom, no mais voltei a estudar. Vou finalmente terminar aquelas matérias deixadas pra trás a muito tempo e no próximo ano espero já estar cursando letras. Estou fazendo meus trabalhos de banho e tosa como freelancer e vivendo com o meu namorado que me entende melhor do que ninguém.
Espero trazer novas e boas notícias no próximo post. O que sei é que preciso de um médico. E por enquanto preciso dormir.
sábado, 22 de junho de 2013
Sem pele
Estou bastante satisfeita com a estabilidade que consegui alcançar de um ano pra cá. Mesmo sem medicação e terapia, tenho me mantido bem. E apesar do inverno que me deixa mal, a depressão não chegou com tudo desta vez.
Tenho me esforçado muito e feito de tudo pra manter a mente bem ocupada. Isso inclui exercício físico, trabalho voluntário, cuidado e convivência com os meus bichos, cuidado com a mente, entre outros.
Nas piores fases, eu sempre disse que gostaria de encontrar uma ilusão na qual acreditar. Então, eu encontrei. Tenho estudado bastante sobre espiritualidade e trabalhado em casa espírita. Isso me fez ver de perto o quanto existem pessoas em situações bem piores que a minha. E de certa forma, me ajudou muito. Sem falar que, mesmo não tendo certeza de nada, encontrei minha ilusão.
O grande problema pra mim, o maior de todos e o que não vejo nenhum sinal de melhora, é a questão da frustração. Eu não sei como reagir diante de situações que me causam incômodo. Quando algo ou alguém me decepcionam, minha primeira e única atitude é repelir. Seja quem for, em qual situação for. Se eu me sentir incomodada com algo, não consigo conviver mais com a situação.
Hoje mesmo, passei parte da madrugada acordada, pelo fato de o meu cachorro não estar muito bem de saúde. Eu deveria saber lidar melhor com a situação, mas não sei. Fico extremamente triste, preocupada, mal-humorada, apreensiva. Me fecho dentro de mim mesma e acabo não sabendo que atitude tomar. A confusão mental, muitas vezes me impede de pensar melhor sobre como agir.
Estou melhor em quase todos os sintomas, mas este em especial me incomoda bastante. Principalmente por não haver expectativa de melhora. Sinto bastante medo de não saber como conviver com problemas maiores.
A única coisa certa nesta vida, é que cedo ou tarde teremos de enfrentar problemas mais graves. Infelizmente não tenho nenhum suporte emocional pra isso. Nessas horas sinto como se não tivesse pele ou como se estivesse do avesso. Talvez por causa dos traumas, dos problemas que tive que enfrentar ainda tão jovem. Não sei exatamente quais são as causas, o que sei é que neste sentido ainda sou fraca. Me sinto uma criança desprotegida. E isso me preocupa muito.
Tenho me esforçado muito e feito de tudo pra manter a mente bem ocupada. Isso inclui exercício físico, trabalho voluntário, cuidado e convivência com os meus bichos, cuidado com a mente, entre outros.
Nas piores fases, eu sempre disse que gostaria de encontrar uma ilusão na qual acreditar. Então, eu encontrei. Tenho estudado bastante sobre espiritualidade e trabalhado em casa espírita. Isso me fez ver de perto o quanto existem pessoas em situações bem piores que a minha. E de certa forma, me ajudou muito. Sem falar que, mesmo não tendo certeza de nada, encontrei minha ilusão.
O grande problema pra mim, o maior de todos e o que não vejo nenhum sinal de melhora, é a questão da frustração. Eu não sei como reagir diante de situações que me causam incômodo. Quando algo ou alguém me decepcionam, minha primeira e única atitude é repelir. Seja quem for, em qual situação for. Se eu me sentir incomodada com algo, não consigo conviver mais com a situação.
Hoje mesmo, passei parte da madrugada acordada, pelo fato de o meu cachorro não estar muito bem de saúde. Eu deveria saber lidar melhor com a situação, mas não sei. Fico extremamente triste, preocupada, mal-humorada, apreensiva. Me fecho dentro de mim mesma e acabo não sabendo que atitude tomar. A confusão mental, muitas vezes me impede de pensar melhor sobre como agir.
Estou melhor em quase todos os sintomas, mas este em especial me incomoda bastante. Principalmente por não haver expectativa de melhora. Sinto bastante medo de não saber como conviver com problemas maiores.
A única coisa certa nesta vida, é que cedo ou tarde teremos de enfrentar problemas mais graves. Infelizmente não tenho nenhum suporte emocional pra isso. Nessas horas sinto como se não tivesse pele ou como se estivesse do avesso. Talvez por causa dos traumas, dos problemas que tive que enfrentar ainda tão jovem. Não sei exatamente quais são as causas, o que sei é que neste sentido ainda sou fraca. Me sinto uma criança desprotegida. E isso me preocupa muito.
domingo, 28 de abril de 2013
Cobranças
Tudo gira em torno de beleza, consumismo e status (financeiro e amoroso). É quase que uma obrigação a busca cada vez maior por dinheiro, apartamento, carro, roupas bonitas, unhas feitas, cabelos feitos no salão, etc.
Tendo ou não dinheiro, as pessoas te cobram que tenha uma """""""cara metade""""""". Como se ninguém pudesse ser feliz sozinho. Como se a vida de todas as pessoas só fosse completa com alguém do lado, mesmo que ambos se traiam.
E não importa quantos sentimentos bons existam dentro de você, se você não tem dinheiro eles não valem nada. Uma pessoa caridosa geralmente é muito amada, se beleza e riqueza estiverem incluídas também.
Infelizmente é isso aí. Você precisa ter dinheiro, ter status e ter alguém preferencialmente rico e bonito também, pra esfregar isso na cara da sociedade. É triste, doentio e nojento, mas é a verdade.
Acho que o motivo de sermos como somos, é por nos sentirmos culpados por não se adequar aos padrões escrotos da sociedade. Sofremos bullying por isso, sofremos pressão por isso, ouvimos insultos por isso... Ouvi ontem um ótimo exemplo. Fomos criados para sermos um "quadrado", e se formos qualquer coisa fora do quadrado, somos tratados com total desrespeito e raiva.
O "amor" é visto de forma tão fantasiosa que me irrita. Sinto nojo de mim por ter me iludido tanto com algo tão infantil. Pessoas não são perfeitas nem aqui, nem nos filmes e nem na puta que pariu. Somos um bando de gente chata com inúmeras diferenças que nos fazem querer matar uns aos outros.
Existe paixão, que é aquela coisa ridícula de início de namoro. Ficamos parecendo a hello kitty no cio. As frases apaixonadas, no facebook e em qualquer outro lugar são sempre as mesmas, tamanha a babaquice. É gente se anulando e colocando o parceiro num pedestal inexistente o tempo inteiro. Não sei se é por insegurança ou se é só aquela imensa e típica vontade de aparecer. Mas é sempre assim.
Acho que não sei o que é amor, se for essa anulação toda. Se for melação, ilusão, perfeição e toda aquela baboseira que foi criada pra satisfazer a indústria do casamento e iludir pessoas, não sei mesmo o que é o amor. Sei o que significa paixão, e é tão besta visto de fora que meu maior desejo nessa e em todas as outras vidasque eu tiver, é nunca, jamais me apaixonar novamente. Sinto vergonha de mim mesma, pensando o quanto já me iludi com isso. Sempre se cai do cavalo, sempre.
As pessoas se casam e tem filhos por que tem que ser assim e pronto. Não é por amor. Não é conto de fadas. E se um dos dois acreditar que sim, pode apostar que está sendo traído. Não existem contos de fadas e nunca vão existir.
Acho que seria bom contar a verdade pras crianças, pra que as meninas não gastem o salto do sapatinho de cristal procurando o príncipe encantado que nunca chega. E pra que os pobres cavalos brancos não se cansem de tanto ajudar os meninos a procurar pela princesa perfeita que jamais existiu. Que cada príncipe e cada princesa entendam que podem encontrar em ambos os sexos, seres humanos imperfeitos, e que raramente eles não irão se decepcionar.
Quanto ao dinheiro, também seria interessante se aprendêssemos a lidar com ele de outra forma. Se fosse visto como coadjuvante e não como protagonista de nossas vidas, talvez as coisas não fossem tão complicadas.
E ensinar a cada uma delas que somos bonitos do jeito que somos. Que não é preciso ter um corpo perfeito, nem o formato de rosto ideal. Existe beleza em todo ser humano, e a beleza não é aquilo que pode ser observado por fora, é algo muito além disso.
Ao passar pelo problema de se cobrado por não ter alguma dessas características, lembre-se de que não importa o quanto pudesse ser diferente, sempre haveria alguém pra reclamar daquilo que você é. Os seres humanos são estúpidos e limitados desta forma mesmo e não parecem dispostos a mudar.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Primeiro de 2013
Foram 4 meses sem escrever nada por aqui. Meu lado Agnes andou bem ausente. Há mais ou menos 8 meses venho enfrentando problemas financeiros e burocráticos. Me mantive bem até então. Em tanto tempo posso dizer que meus "surtos graves" reduziram de semanais pra uns 3 em 8 meses.
Encontrei ajuda através do espiritismo, o trabalho de caridade e o estudo da espiritualidade. Como eu tanto desejei, finalmente consegui me convencer de algo que me faça viver, mesmo que seja pura ilusão. Era isso que eu queria. Uma ilusão na qual pudesse acreditar. Isso me mantem estável.
Larguei o psiquiatra há bastante tempo, não sei precisar o quanto exatamente, mas enfim, não fez a mínima falta. Não estou fazendo uso de medicação e acredito que quanto mais esqueço o que tenho, menos sintomas eu percebo. Não recomendo que ninguém faça o mesmo que eu fiz. Só fiz isso por ter passado muito tempo de minha vida sem nenhum tratamento e por estar mais do que acostumada a viver assim.
É imaturo e irresponsável saber o que se tem e não se tratar,mas prefiro assim. Assim me sinto plenamente eu. Sou eu com meus surtos, com minha euforia, minha depressão, meus medos, minhas paranoias, meu amor excessivo por tudo que amo. Demonstro claramente do que gosto ou não e me sinto melhor assim. Acho que o simples fato de necessitar de ajuda me deprimia mais. Eu era obrigada a ir frequentemente até o senhor de olho no relógio pra não exceder o tempo, e falar sobre tudo aquilo que eu queria esquecer. Enquanto mais pessoas deprimidas aguardavam na sala de espera.
Sinto-me bem sendo quem sou do jeito que sou. Aprendi a conviver comigo mesma sem me odiar. São tantas as imperfeições dos seres humanos.Não há porque me sentir tão culpada por não me sentir normal. Nós somos todos diferentes e ao mesmo tempo todos iguais.
Estou passando por uma fase difícil e procurando novo emprego. Surgiram algumas propostas, mas nada financeiramente viável, de acordo com a carga horária. Sei dos meus limites e sei que por mais que eu necessite, não vou conseguir fazer mais do que a minha cabeça doente permite. Preciso ir com calma.
As atribulações de cada dia, andam me perturbando e alguns sintomas apareceram com mais força nos últimos dias. Nada como era antes, pois me esforço ao máximo pra me manter bem. Mas sinto novamente aquele velho medo chato da mudança. De ter que mudar, de ter que enfrentar situações desagradáveis.
Peço boas energias e orações daqueles que acreditam, pois logo o rigoroso inverno sulista dará as caras, e os dias debaixo da neblina me fazem perder o equilíbrio. Se eu cometesse suicídio, certamente seria em algum desses dias chatos de inverno.
O que tenho a dizer a quem ainda se sente muito mal com todos os sintomas, é que busque um meio exteriorizar essa energia toda acumulada dentro de si. O esporte, mesmo que como eu, seja uma corrida sozinho em qualquer lugar sossegado, é de grande ajuda. A escrita é outra forma de colocar pra fora cada palavra entalada.
Sinto medo de voltar a ficar doente de forma tão violenta quanto antes. Espero não regredir e agradeço a tudo que fez parte da minha recuperação. Agradeço a força que tive e a força que recebi de cada pessoa que me apoiou nos piores dias, principalmente Verônika, que se tornou uma amiga pessoal. Amiga pessoal, presente, que torce por mim e me tira da toca. Que mesmo eu sendo um bicho do mato, que me escondo por décadas sem dar notícia, me procura e me entende. Agradeço a paciência, o carinho e o amparo.
Quando falo de Verônika lembro do dia em que andei pela cidade na chuva, pensando em como seria minha última noite. Não sabia pra onde ia ou o que iria fazer, só tinha a certeza de que não queria acordar no próximo dia. Enviei um e-mail, e recebi de volta o conforto que me fez repensar e ver novamente o sol nascer no outro dia.
Passei por tanta coisa desde a minha infância até hoje, que as vezes nem acredito como continuo aqui. Fui covarde o suficiente pra me manter viva, e sou grata pela minha covardia. Os seres humanos e a vida é uma grande bosta, mas se estou aqui é por algum motivo. Se é pra enfrentar, enfrentarei com garra. Passei muito tempo de minha vida chorando e hoje tudo o que eu quero é correr atrás de melhorar.
Sinto uma dor enorme quando penso em tudo o que sofri, mas talvez se não tivesse sido assim, hoje eu não seria quem sou, nem daria tanto valor a tudo que tenho. Acredito que há males que vêm para o bem, do contrário nada faria sentido.
Encontrei ajuda através do espiritismo, o trabalho de caridade e o estudo da espiritualidade. Como eu tanto desejei, finalmente consegui me convencer de algo que me faça viver, mesmo que seja pura ilusão. Era isso que eu queria. Uma ilusão na qual pudesse acreditar. Isso me mantem estável.
Larguei o psiquiatra há bastante tempo, não sei precisar o quanto exatamente, mas enfim, não fez a mínima falta. Não estou fazendo uso de medicação e acredito que quanto mais esqueço o que tenho, menos sintomas eu percebo. Não recomendo que ninguém faça o mesmo que eu fiz. Só fiz isso por ter passado muito tempo de minha vida sem nenhum tratamento e por estar mais do que acostumada a viver assim.
É imaturo e irresponsável saber o que se tem e não se tratar,mas prefiro assim. Assim me sinto plenamente eu. Sou eu com meus surtos, com minha euforia, minha depressão, meus medos, minhas paranoias, meu amor excessivo por tudo que amo. Demonstro claramente do que gosto ou não e me sinto melhor assim. Acho que o simples fato de necessitar de ajuda me deprimia mais. Eu era obrigada a ir frequentemente até o senhor de olho no relógio pra não exceder o tempo, e falar sobre tudo aquilo que eu queria esquecer. Enquanto mais pessoas deprimidas aguardavam na sala de espera.
Sinto-me bem sendo quem sou do jeito que sou. Aprendi a conviver comigo mesma sem me odiar. São tantas as imperfeições dos seres humanos.Não há porque me sentir tão culpada por não me sentir normal. Nós somos todos diferentes e ao mesmo tempo todos iguais.
Estou passando por uma fase difícil e procurando novo emprego. Surgiram algumas propostas, mas nada financeiramente viável, de acordo com a carga horária. Sei dos meus limites e sei que por mais que eu necessite, não vou conseguir fazer mais do que a minha cabeça doente permite. Preciso ir com calma.
As atribulações de cada dia, andam me perturbando e alguns sintomas apareceram com mais força nos últimos dias. Nada como era antes, pois me esforço ao máximo pra me manter bem. Mas sinto novamente aquele velho medo chato da mudança. De ter que mudar, de ter que enfrentar situações desagradáveis.
Peço boas energias e orações daqueles que acreditam, pois logo o rigoroso inverno sulista dará as caras, e os dias debaixo da neblina me fazem perder o equilíbrio. Se eu cometesse suicídio, certamente seria em algum desses dias chatos de inverno.
O que tenho a dizer a quem ainda se sente muito mal com todos os sintomas, é que busque um meio exteriorizar essa energia toda acumulada dentro de si. O esporte, mesmo que como eu, seja uma corrida sozinho em qualquer lugar sossegado, é de grande ajuda. A escrita é outra forma de colocar pra fora cada palavra entalada.
Sinto medo de voltar a ficar doente de forma tão violenta quanto antes. Espero não regredir e agradeço a tudo que fez parte da minha recuperação. Agradeço a força que tive e a força que recebi de cada pessoa que me apoiou nos piores dias, principalmente Verônika, que se tornou uma amiga pessoal. Amiga pessoal, presente, que torce por mim e me tira da toca. Que mesmo eu sendo um bicho do mato, que me escondo por décadas sem dar notícia, me procura e me entende. Agradeço a paciência, o carinho e o amparo.
Quando falo de Verônika lembro do dia em que andei pela cidade na chuva, pensando em como seria minha última noite. Não sabia pra onde ia ou o que iria fazer, só tinha a certeza de que não queria acordar no próximo dia. Enviei um e-mail, e recebi de volta o conforto que me fez repensar e ver novamente o sol nascer no outro dia.
Passei por tanta coisa desde a minha infância até hoje, que as vezes nem acredito como continuo aqui. Fui covarde o suficiente pra me manter viva, e sou grata pela minha covardia. Os seres humanos e a vida é uma grande bosta, mas se estou aqui é por algum motivo. Se é pra enfrentar, enfrentarei com garra. Passei muito tempo de minha vida chorando e hoje tudo o que eu quero é correr atrás de melhorar.
Sinto uma dor enorme quando penso em tudo o que sofri, mas talvez se não tivesse sido assim, hoje eu não seria quem sou, nem daria tanto valor a tudo que tenho. Acredito que há males que vêm para o bem, do contrário nada faria sentido.
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