Foram 4 meses sem escrever nada por aqui. Meu lado Agnes andou bem ausente. Há mais ou menos 8 meses venho enfrentando problemas financeiros e burocráticos. Me mantive bem até então. Em tanto tempo posso dizer que meus "surtos graves" reduziram de semanais pra uns 3 em 8 meses.
Encontrei ajuda através do espiritismo, o trabalho de caridade e o estudo da espiritualidade. Como eu tanto desejei, finalmente consegui me convencer de algo que me faça viver, mesmo que seja pura ilusão. Era isso que eu queria. Uma ilusão na qual pudesse acreditar. Isso me mantem estável.
Larguei o psiquiatra há bastante tempo, não sei precisar o quanto exatamente, mas enfim, não fez a mínima falta. Não estou fazendo uso de medicação e acredito que quanto mais esqueço o que tenho, menos sintomas eu percebo. Não recomendo que ninguém faça o mesmo que eu fiz. Só fiz isso por ter passado muito tempo de minha vida sem nenhum tratamento e por estar mais do que acostumada a viver assim.
É imaturo e irresponsável saber o que se tem e não se tratar,mas prefiro assim. Assim me sinto plenamente eu. Sou eu com meus surtos, com minha euforia, minha depressão, meus medos, minhas paranoias, meu amor excessivo por tudo que amo. Demonstro claramente do que gosto ou não e me sinto melhor assim. Acho que o simples fato de necessitar de ajuda me deprimia mais. Eu era obrigada a ir frequentemente até o senhor de olho no relógio pra não exceder o tempo, e falar sobre tudo aquilo que eu queria esquecer. Enquanto mais pessoas deprimidas aguardavam na sala de espera.
Sinto-me bem sendo quem sou do jeito que sou. Aprendi a conviver comigo mesma sem me odiar. São tantas as imperfeições dos seres humanos.Não há porque me sentir tão culpada por não me sentir normal. Nós somos todos diferentes e ao mesmo tempo todos iguais.
Estou passando por uma fase difícil e procurando novo emprego. Surgiram algumas propostas, mas nada financeiramente viável, de acordo com a carga horária. Sei dos meus limites e sei que por mais que eu necessite, não vou conseguir fazer mais do que a minha cabeça doente permite. Preciso ir com calma.
As atribulações de cada dia, andam me perturbando e alguns sintomas apareceram com mais força nos últimos dias. Nada como era antes, pois me esforço ao máximo pra me manter bem. Mas sinto novamente aquele velho medo chato da mudança. De ter que mudar, de ter que enfrentar situações desagradáveis.
Peço boas energias e orações daqueles que acreditam, pois logo o rigoroso inverno sulista dará as caras, e os dias debaixo da neblina me fazem perder o equilíbrio. Se eu cometesse suicídio, certamente seria em algum desses dias chatos de inverno.
O que tenho a dizer a quem ainda se sente muito mal com todos os sintomas, é que busque um meio exteriorizar essa energia toda acumulada dentro de si. O esporte, mesmo que como eu, seja uma corrida sozinho em qualquer lugar sossegado, é de grande ajuda. A escrita é outra forma de colocar pra fora cada palavra entalada.
Sinto medo de voltar a ficar doente de forma tão violenta quanto antes. Espero não regredir e agradeço a tudo que fez parte da minha recuperação. Agradeço a força que tive e a força que recebi de cada pessoa que me apoiou nos piores dias, principalmente Verônika, que se tornou uma amiga pessoal. Amiga pessoal, presente, que torce por mim e me tira da toca. Que mesmo eu sendo um bicho do mato, que me escondo por décadas sem dar notícia, me procura e me entende. Agradeço a paciência, o carinho e o amparo.
Quando falo de Verônika lembro do dia em que andei pela cidade na chuva, pensando em como seria minha última noite. Não sabia pra onde ia ou o que iria fazer, só tinha a certeza de que não queria acordar no próximo dia. Enviei um e-mail, e recebi de volta o conforto que me fez repensar e ver novamente o sol nascer no outro dia.
Passei por tanta coisa desde a minha infância até hoje, que as vezes nem acredito como continuo aqui. Fui covarde o suficiente pra me manter viva, e sou grata pela minha covardia. Os seres humanos e a vida é uma grande bosta, mas se estou aqui é por algum motivo. Se é pra enfrentar, enfrentarei com garra. Passei muito tempo de minha vida chorando e hoje tudo o que eu quero é correr atrás de melhorar.
Sinto uma dor enorme quando penso em tudo o que sofri, mas talvez se não tivesse sido assim, hoje eu não seria quem sou, nem daria tanto valor a tudo que tenho. Acredito que há males que vêm para o bem, do contrário nada faria sentido.
Tu me fez chorar, aqui, sua "bestinha"! Tu é uma amiga que eu quero e VOU levar pra vida toda! TE AMO MUITO! Tu mora no meu coração, e sabe o quanto eu acredito em ti! Sei o que tu passou, e passei pelo mesmo, à minha maneira (a mesma dor, com suas diferentes apresentações e contextos). Sei da tua força, do que tu é capaz, e tu NÃO vai deixar a peteca cair!!!!! E não, a vida não é uma bosta, mesmo que às vezes ela "esteja" uma bosta! O bom é que TUDO passa, e sempre tem um novo dia... TU MESMA ME FEZ VER ISSO TANTAS VEZES, quando eu queria desistir, também! O bom é que a gente se entende e se apoia!
ResponderExcluirP.s.: E eu sou a "versão" da Agnes que está melhor indo ao psiquiatra, só pra testemunhar que psiquiatra tb pode ajudar! kkk
Beijos, minha flor do Sul! :)