terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O amor

   
   Sendo alguém de emoções totalmente fortes e intensas, as relações afetivas não poderiam ser diferentes. Pelo menos comigo, sempre foram assim.
    Meus relacionamentos começam intensos o bastante pra me fazer pôr os pés pelas mãos e praticamente sufocar o pretendendo de tanto carinho e admiração. 
    Estou em um relacionamento há 2 anos e 5 meses e hoje em dia é tranquilo e estável. Apesar de eu ainda perder o controle e provocar brigas, elas são bem menos frequentes do que há tempos atrás. Onde eu seria capaz de tudo pra conseguir aquilo que queria. Ainda sou bastante possessiva e exigente, mas sem explosões e situações criadas pra me sentir mais rejeitada e implorar por mais atenção e provas contantes de amor. 
    Hoje estou bem e feliz nesse sentido, mas nem sempre foi assim. Sou exagerada e 1 mês de "amizade colorida" já é suficiente pra me fazer entregar os pontos e idealizar um príncipe encantado perfeito. E é lógico que ele não existe. Nem pra mim, nem pra ninguém. Seres humanos são compostos por características boas e ruins. Acredito na dualidade de todas as coisas. ninguém é totalmente bom e ninguém é totalmente mal.     Pena que nem sempre tive consciência disso. E infelizmente ela ainda é pouco perto do que deveria ser.
    Não sei se vocês são como eu, mas conheci outros borders que são. Então falo por mim e por eles. Eu idealizo demais as pessoas, o que geralmente me fazia confundir as coisas. Amei demais, me iludi demais e quebrei a cara várias vezes.
    Comecei a namorar cedo demais, perdi muito tempo brigando por ter perdido o carinho em poucos meses. Troquei de companheiro pensando que daria certo e novamente foi a mesma coisa. Grande idealização e grande decepção. O que termina com tudo.
    Outra questão, a confusão diante de tudo. Por experiência própria, com amigos e conhecidos, posso garantir que declarações inesperadas são detestáveis. Muitas vezes acreditamos estar amando perdidamente alguém que será o único, e não é. As vezes não passa de confusão, de acreditar que o carinho e a atenção de um amigo significa que ele seria um ótimo companheiro. Ou que aquele carinho não é apenas um carinho de amigo atencioso. 
    Declarações inesperadas são chatas, inconvenientes e podem o fazer perder a amizade e o carinho da pessoa idealizada. Se não for completamente lógico que o outro está correspondendo e irá gostar, e isso só se tem certeza com o tempo. Ou se você receber sinais claros de amor, e não imaginários. Lembrando que carinho e dedicação, nem sempre é amor. Sou bastante carinhosa e atenciosa com os amigos, no entanto, não tenho nenhuma pretensão de me relacionar com nenhum deles. E detestaria se um deles pensasse o contrário.
    Então, eu entendo assim. Forçar o outro a ouvir seus sentimentos por ele, geralmente não ajuda, só atrapalha. Ainda mais pra pessoas como eu, que sentem muito mais a rejeição do que qualquer outro sentiria.
    Tempo e paciência trazem à nós as pessoas certas, na hora certa. Claro que esta é a minha opinião, minha verdade. Mas cada um sabe o que é melhor pra si. Esta é apenas a dica de alguém que já se decepcionou muito na vida e sabe do que está falando! Pra evitar que seus coraçõezinhos sofram ainda mais do que já sofreram.
    O amor é algo muito diferente da explosão se sentimentos que costumamos sentir no início. Mas também é claro que todo amor surge de uma grande paixão, desde que ela seja bem correspondida. 
    Bom pessoal, estamos à menos de 2 semanas pro fim do ano. Então desejo a todos que o próximo ano seja melhor do este! Que tenhamos paz e principalmente força pra enfrentar o que vier e quem sabe sermos felizes como nunca!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

2012

    

    Meu maior desejo pra 2012...que o mundo realmente acabe. Que exploda logo e vire tudo fumaça. Vai acabar, uma hora tem que acabar. Do mesmo jeito que começou e que os dinossauros foram extintos, que seja extinta a raça humana. 
    O maior dos problemas, o homem. Acho que o mundo começou a ser morto aos poucos a partir do momento em que o ser humano surgiu. Estou triste, decepcionada. Não apenas com a minha vida, com a minha mente doentia e com tudo à minha volta. Estou realmente muito decepcionada com as pessoas em geral. Incompreensivas, críticas, cruéis. 
    É só minha opinião, baseada apenas naquilo que sinto na minha minha vida, mas acredito que o causador de todos esses transtornos psicológicos e de toda essa dor, seja o ser humano. Aquele que aponta, que magoa, que ilude. Aquele que destrói cada traço de esperança.
    Segundo os médicos, eu sinto mais do que deveria, eu crio situações, aumento as coisas. Popularmente "faço tempestade em copo d'água."  Mas pensando bem, não acho que seja isso. Acho apenas, que consigo analisar pequenos detalhes, aqueles em que a maioria das pessoas fazem vista grossa. Eu paro e penso, sobre cada detalhe. Atenciosamente a cada detalhe. E tiro conclusões bem precisas de cada coisa. Talvez a minha reação seja exagerada. Mas tudo aquilo que aponto, tem sim um fundo de verdade. A diferença entre mim e outras pessoas, é que as outras se calam e eu jogo tudo pra fora, com a mesma forma que as emoções pulsam nas minhas veias. Com a mesma velocidade que o meu coração bate. Com a mesma força que faz meu corpo tremer. Não sei controlar nada disto. As emoções simplesmente saem, com a mesma facilidade de uma gota de suor durante uma longa corrida. Não existe uma forma de controlar, é tão natural quanto respirar. Faz tão parte de mim quanto meus olhos ou o toque da minha pele. Sou eu.
    Me sinto como se tivesse descido na parada de ônibus errada. Ou se preferirem, peguei um trem e desci numa estação de uma cidade desconhecida e completamente alheia a mim. Estranha, confusa. Onde não me encaixo e nem sei viver como os demais. Apenas vivo.
    Vivo porque sou covarde o suficiente pra não conseguir pegar o trem que me leve de volta pro lugar de onde eu saí. Mesmo que este lugar, só exista em meus sonhos.
    Tenho sido forte há muito tempo, pra mim pareceu uma eternidade, mas sei que existem pessoas que enfrentam isso ha muito mais tempo do que eu, passando por situações bem piores do que as que eu passei e continuam tentando. Então, como posso desistir?
    Só quero que as coisas mudem, que a dor deixe de existir, pra mim e pros outros seres. E infelizmente pra isso acontecer, é preciso de verdade, que o mundo se exploda. que tudo volte a ser apenas, poeira das estrelas.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A incapacidade do ser humano de respeitar as diferenças me entristece muito. Sempre fui uma pessoa com sede de expressar opiniões e isso acabou me trazendo muitas frustrações, com diversas pessoas. Tenho o hábito idiota de ser excessivamente atenciosa e depositar muita confiança nas pessoas em pouco tempo. Idealizo certas qualidades, que nem sempre elas possuem. Expresso demais minhas opiniões, sem querer impor, mas ainda assim expresso demais. Tenho aprendido a me calar, pois estou cansada de me decepcionar com as pessoas.
Às vezes prefiro esconder parte de mim, pra que não ouça e não seja alvo daquilo que não quero.
Não sou uma heroína. Sou fraca, estranha, confusa, indecisa e triste. Sou uma pessoa com incontáveis defeitos e me culpo muito por isso. Não sou perfeita, sou a pessoa com mais imperfeições que você pode conhecer. Mas sinto-me cobrada a pressionada a fazer tudo certo constantemente. Tenho que agradar a todos o tempo todo. Basta expor algo que não agrade pra ser alvo de críticas e rompimentos. Sem segunda chance, sem compreensão. Eu apenas me sinto na obrigação de ser perfeita o tempo todo, quando não sou. Por isso a minha vontade de fechar os olhos e esquecer que existo aumenta a cada dia que passa.
A cobrança é maior de pessoas que não sabem que eu sou assim. Mas ainda sinto cobrança daqueles que sabem. E isso é o pior.


    Não gostaria que esperassem nada de mim. Eu não sou coerente. Eu não sou competente em nada que faço. Só gostaria que as pessoas passassem a entender e aceitar as diferenças. Ninguém é igual a ninguém. Todos temos pontos de vista divergentes em todos os assuntos. As afinidades é que são difíceis de encontrar. E é natural.
    Pareço chatear e incomodar as pessoas sem ao menos conhecê-las. Apenas sendo eu mesma. Meus amigos esperam que eu seja algo diferente, nunca parecem satisfeitos com aquilo que sou. Me sinto incapaz de agradar qualquer pessoa. E fico cada vez pior, sempre que alguém faz questão de esfregar isso na minha cara.
    Não sei ajudar ninguém por mais que eu tente. Não sei me defender. Não sou uma pessoa agradável. Eu sou tudo de ruim que você pode imaginar. Não espere nada além do pior. É isso mesmo e provavelmente será sempre assim. Pra que fosse diferente eu precisaria me enterrar num buraco. Talvez essa seja a melhor opção. Mas nem pra isso eu sou competente.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Crise

 
     Tenho passado praticamente 24 hs por dia na internet. Na verdade eu durmo um período, mas durmo com o computador ligado e internet conectada. Eu pago, mais ainda assim isso tem me incomodado. Por bastante tempo eu fingi achar tudo isso normal, mas sei que não é. Assim como minha vontade de me sentir "fora de órbita" também não é normal.
    Algumas pessoas (muitas) criticam bastante as minhas atitudes com relação a tudo que faço e estou de saco cheia de críticas e ofensas grátis. Eu costumo respeitar as opções dos meus amigos e apoiar, desde que não cause nenhum problema a eles. Mas eles são muito diferentes comigo. Não é exagero, é sério.
    Eu costumo ser bem atenciosa e carinhosa com pessoas que gosto. Mas nunca foi recíproco. O maior carinho que recebo na vida, vem de vocês. E é de extrema importância pra mim.
    Não estou nada bem. Me sinto inútil e fracassada. Eu era uma criança cheia de sonhos, cheia de supostos talentos. Uma adolescente inteligente e interessada nas coisas, que lutava com todas as forças por aquilo que queria. Tive minhas bandas, era boa na música. Me dedicava e adorava o que fazia. A música era minha maior diversão. Mas com cada vez mais músicos bons surgindo, me senti fraca o suficiente pra desistir de tudo.
    Eu adorava desenhar, fazia ótimos desenhos e queria ser estilista. Também fiz um curso de textura em paredes e até fiz um belo trabalho na parede da sala de jantar.
    Era ótima esteticista de animais, mas não suportei a pressão de algumas peruas sem noção. Pré requisito básico pra manter meu relacionamento com as pessoas é a humildade. E faltava muita humildade da área de pet shop e clínicas veterinárias. Simplesmente cansou ter que sorrir pras madames enquanto elas desciam a lenha em mim por ter esquecido de tosar as pontinhas das orelhas dos seus yorkshires pra que elas ficassem de pé. Pra depois eu chegar em casa e encontrar vários anúncios e pedidos de socorro das associações protetoras dos animais, principalmente da minha cidade, lotados de animais nas ruas, doentes e passando por necessidades. Cansei de ver essas senhoras comprando coisas inúteis e pagando muito caro, enquanto animais, crianças e adultos passam fome. Certamente elas jamais passariam por um morador de rua e doariam a ele a mesma quantia que costumam deixar no pet shop. Eu amo animais, sou ativista e eles me fazem um bem inexplicável. Só acho que existem exageros que são totalmente dispensáveis e isso realmente me entristece.
    Não sei exatamente em que lugar deixei tudo que existia de bom em mim de lado. Só sei que perdi tudo. O meu maior problema é que por mais que eu seja boa no que eu faço, eu não aceito ouvir críticas. Isso me fere tão profundamente, ao ponto de me fazer desistir. Eu fui incentivada a desistir de cada uma dessas coisas. Eu sei que não posso agradar a todos, mas basta saber que não agradei uma única pessoa, pra eu me sentir um lixo.
    Eu me sinto um lixo, me sinto inútil e incompetente. Estou cansada de tentar fazer algo de bom, de tentar fazer algo que preste. Cansada de fingir que sou forte e inteligente. Cansada de tudo. Não sei se quero me recuperar, se quero melhorar. Estou cansada de caminhar alguns passos pra depois cair novamente. Eu sei que não consigo terminar nada na vida. Nunca consigo ir até o fim. Não suporto ter de tomar decisões. Sou indecisa e desatenta. Quero paz, quero não sentir nenhum tipo de pressão.
    Apesar de odiar os seres humanos e ser totalmente contra a sociedade da forma como ela é. Detestar capitalismo, detestar o fato de sermos pressionados pra seguir certos padrões impostos pela sociedade estúpida em que vivemos. Eu me sinto fracassada por ter nadado contra a corrente. Por não permitir que nada nem ninguém me governe, que nada nem ninguém me humilhe. Me sinto fracassada por não ter seguido nenhum padrão e não ter me esforçado pra ser igual a todos. Me sinto fracassada por ter feito todas as minhas escolhas e jamais ter ouvido conselhos e nem aceitado intromissões.
    Sei que não vou mudar. Posso me esforçar pra mudar, mas jamais será por mim. Jamais serei feliz assim. Jamais estarei em paz fazendo aquilo que todos fazem.
    Pessoas com quem eu mais me preocupo não estou bem. Ver pessoas como eu sofrendo imensamente e não poder fazer nada e muito menos mudar a situação de cada uma, me frusta, me revolta, me desanima.
    Estou realmente em crise. Total crise. Não quero ver nem conversar com ninguém. Resolvi escrever este post, pois talvez eu fique um período distante. Mas vou tentar escrever, mesmo que seja qualquer merda, pra mantê-los informados. Pois sei que as pessoas que estão aqui, realmente se importam e entendem. E são as únicas. São únicas e são especiais, cada uma do seu jeito.
    Fiquem em paz e podem me contatar por e-mail que sempre que der vou dar uma olhada.

   

domingo, 27 de novembro de 2011

Hoje vi um filme que me chamou atenção sobre a grande imbecilidade da sociedade humana. O filme se chama "Mulheres perfeitas", com a Nicole Kidman. No filme, basicamente é exigido que a vida seja perfeitamente bela e feliz, numa pequena cidade. Não vou contar os detalhes pra não estragar o filme de quem quiser ver. Mas enfim, o filme me fez pensar sobre o quanto os padrões de perfeição da sociedade me perturbam.
Posso ser realmente muito chata, mas pessoas que querem a todo custo mostrar que vive numa perfeita felicidade, me irritam demais. Sabe essas pessoas que passam a semana inteira fofocando e torrando o saco dos outros e vai à missa no sábado, com um sorriso de "como sou perfeito" estampado no rosto, acreditando ser uma pessoa de extrema perfeição? Isso me incomoda de verdade.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Terapia e momento atual

    Fui à terapia terça-feira. Acordei muito irritada e estava me sentindo bem pra baixo de umas semanas pra cá. O dia chuvoso parece ter colaborado pra que eu me sentisse mal. Cheguei uns 5 minutos antes do horário marcado. Fico pensando nas pessoas que também estão lá. Pensando pelo que elas podem ter passado ou continuam passando pra estarem ali. Fico triste por eles também.
    Quando o terapeuta me chamou, eu já estava com um nó na garganta e uma vontade de chorar enorme, pensando em tudo isso. Fico pensando, quando foi que eu deixei de viver com vontade e passei a querer que tudo acabe. Mas ao mesmo tempo fico feliz por ter tido coragem de pedir ajuda. Graças aos queridos amigos que me incentivaram, principalmente a Veronika.
    Gostando ou não, sei que preciso continuar. E só o fato de saber que estou tentando, me anima. Ando muito confusa com relação a tudo. Minha opinião sobre as coisas muda em questão de minutos. Não tenho opinião formada sobre nada. Estou confusa e perdida, com dificuldade de me expressar.
    O terapeuta me deu lamotrigina. Comecei com 25 mg, passei pra 50 mg e agora estou começando com 100 mg. Ele disse que é só pra começar. Que não quis me dar antidepressivo por causa dos momentos de euforia. Por receio de que eu ficasse muito "ligada". Não entendo nada disso gente.
    Eu vou até lá e converso mais sobre outros assuntos do que sobre mim mesma. Andei me cortando no chuveiro. Gosto de ver o sangue escorrendo e indo embora pelo ralo. Sei que é errado, sei que não faz sentido, mas não pensei nisso. Simplesmente senti uma vontade forte e fiz. E a vontade não passou. Estou andando com lâminas na bolsa.
    Quanto as bebidas alcoólicas, estou com muita vontade de consumi-las. Mas sei que não posso por vários motivos e que isso atrapalharia o tratamento. Mas a vontade é grande.
    As críticas que eu recebo ainda me fazem muito mal, extremamente mal. E esse é um dos principais motivos de eu querer me fechar, me esconder, me calar. Sinto que tudo que eu faço é inútil e sem sentido. E isso me faz querer fugir. Às vezes as críticas nem são direcionadas pra mim, mas eu interpreto assim. Ou nem são críticas, mas na minha mente são.
    Uma das frases do filme Nome próprio, entre tantas outras, que eu me identifiquei bastante foi "Preciso organizar o caos que eu sou. O problema é que fico achando que caos é ordem". É assim que me sinto, um completo caos. Palavra perfeita pra me definir: caos.
    Eu juro que não é comodismo, não é falta de vontade. Estou me esforçando. E espero conseguir. Estou me envolvendo em assuntos que me façam sair de casa, ter contato com pessoas e que me proporcionem oportunidades de exercitar minha paciência e capacidade de viver em sociedade. Espero que eu possa prosseguir. Que eu não desista e jogue tudo pro alto. Preciso ser forte.
    Me perdoem pela falta de assuntos mais interessantes. Preciso de compreensão.
    Beijos!

ps: Alguém tem notícias da G.? Ela não escreve nada a muitos dias. Estou preocupada!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

   
    Hoje acordei as 4 da manhã. Aconteceram algumas coisas que me deixaram triste, como de costume. Talvez essas coisas aconteçam com todas as pessoas, mas eu sinto as coisas de um jeito diferente. Tudo é mais forte na minha mente. Tudo me machuca mais do que machucaria uma pessoa "normal".
    Sinto como se não fosse suficientemente competente pra nada. Tudo que eu faço parece ser o mediano, ou muito ruim. Mas nunca é digno de elogios. Nunca é bom.
    A partir do momento em que algo me machuca, me contraria e me incomoda, eu sinto uma vontade absurda de cortar qualquer tipo de contato. Jogar tudo pro alto e me esconder de tudo aquilo que me machuca. O problema é que tudo me machuca.
    Estou me esforçando pra passar a maior parte do tempo pelo menos controlada. Mas às vezes eu preciso apenas ficar calada e longe de tudo. Preciso ver meu sangue e sentir que ainda há vida dentro deste corpo sem alma.
    Estou confusa. Tento melhorar, mas na verdade meu maior desejo é que tudo acabe. Afinal, pelo quê eu estou me esforçando? Eu não gosto desse mundo, não suporto o modo como a sociedade age com pessoas que não seguem seus padrões. Não tenho sonhos, não tenho planos pro futuro. Não consigo terminar nada que começo. Não consigo seguir nada corretamente. Me sinto um grande erro, um grande fracasso.
    Me esforçar uma vida toda pra me sentir menos inferior não faz sentido. Não me parece ser a coisa certa a se fazer. Só gostaria que tudo acabasse o mais rápido possível.
    Amanhã tenho terapia e minha vontade de fugir disso tudo é grande. Sei que não vai ser tão ruim, mas ainda assim, eu detesto falar sobre a minha vida com um desconhecido que diz querer e poder ajudar. Mas que na verdade apenas está fazendo o trabalho dele me ouvindo durante 30 min e lucrando com isso.
    Nem pessoas que eu amo e admiro, jamais conseguiram me convencer de nada. Não acredito que um psiquiatra possa conseguir. Eu sou teimosa e desconfiada. Posso dizer no final de cada sessão que entendi tudo e irei me esforçar. Mas na verdade, escondi muito do que penso e sinto e discordo de muita coisa.
    Amanhã eu conto como foi a terapia. Espero que estejam todos bem, na medida do possível!
    Beijos!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011



    Minha cabeça parece estar girando hoje. A dor, o sono, a impaciência, o nervosismo, a impulsividade, o desânimo e a total depressão tomaram conta de mim. Dessa vez mas profundo e mais dolorido do que o normal.
    Aconteceram coisas que me tiraram de órbita. A sensação de impotência diante da vida é o que mais me desanima. Por mais que possamos nos esforçar pra que as coisas permaneçam bem. Cedo ou tarde o mundo como ele é, a vida como ela é, nos farão querer desistir.
    Não me sinto a vontade com nada nesse mundo. Nada parece certo. É tudo confuso e perturbador pra mim. Mal consigo raciocinar quando fico assim. Me sinto como se estivesse fora do meu próprio corpo.
    Isso é o que mais me desanima. Saber que eu posso tentar, tentar, tentar... mas sempre vou acabar tendo uma crise pior que a outra, cada vez mais intensas.
   Minha alma encontra-se congelada, fria e morta como de costume. Eu não vivo completamente. Sinto como se fosse apenas um corpo e um coração extremamente sensível. É como se na minha alma, eu já estivesse morta.
    Só espero que essa vida seja breve, o mais breve possível. Preciso que isso acabe, de um jeito ou de outro.

sábado, 12 de novembro de 2011

Críticas

 
   Acordei, saí do quarto e consegui ficar lá fora por menos de 3 minutos. Eu ouço críticas e reclamações a meu respeito só de olharem pra minha cara. Antes de qualquer coisa, um bom dia quem sabe, um sorriso. Vêm as caras feias, as reclamações. Me sinto como se eu fosse o saco de pancadas das pessoas. O que tiver que ser descontado, vai ser descontado sempre em mim.
   Essas pessoas já estão carecas de saber que eu não vou me esforçar pra mudar o que eu sou pra agradar ninguém. Eu estou me tratando por mim, pelo meu bem estar. Pra poder viver pelo menos um dia da minha vida sem querer que seja o último. Pra sentir qualquer coisa além do desespero. Eu não sou forte, não tenho nada de otimista. Eu só me calo e me controlo na medida do possível. Mas na maior parte do tempo eu não sei me calar, eu não sei disfarçar.
   Não sei porque as pessoas sentem tanta raiva de quem não segue seus padrões, de quem não é exatamente do jeito que elas esperavam que fosse. Olha que absurdo, são 7 bilhões de pessoas no mundo, cada uma com seus ideais, seus medos, seus sonhos, suas vidas. Como poderíamos ser pra cada uma dessas pessoas aquilo que elas esperam de outro ser humano? Nós não podemos agradar a todo mundo! E nem podemos agradar as pessoas que nos rodeiam.
   Acredito que boa parte do meu problema se desenvolveu por causa disso! Eu passei a vida toda ouvindo que eu deveria mudar tudo em mim. Nada do que eu fiz agradou completamente. É sempre o mais ou menos. Ou então se agrada alguns, outros chegam pra me fazer desistir de tudo. E isso cansa. Tenho vontade de sair correndo ou simplesmente explodir!
    Gostaria de saber em que parte da minha vida eu me perdi. Onde eu deixei de ser alguém que luta pra estar bem e pra conseguir o que quer e passei a ser uma completa fracassada.
    Só queria acordar um dia bem e permanecer bem durante todo dia. Pelo menos uma vez, não ouvir julgamentos, não ser maltratada.
    Como eu disse pra Verônika outro dia, às vezes eu me sinto como a típica vilã das novelas. Aquela que desagrada a todos. A que é vista como chata, agressiva, maldosa. Pois algumas pessoas como por exemplo a família do meu namorado, com a qual eu não tenho contato nenhum à muito tempo, dão um jeito de me culpar por tudo que acontece na vida dele. E saem por aí falando de mim como se eu fosse o pior dos seres humanos, a pior das manipuladoras. Simplesmente por fazer parte da vida dele. Todas as escolhas que ele faz, eu sou apontada como culpada. Como se ele não tivesse vida, como se não tivesse vontade própria.
    Cansa ser o saco de pancadas. Sei que muito do que sentimos é criado por nós. Não criado, mas é supervalorizado. Mas tenho certeza que isso acontece por sermos sensíveis demais e pisoteadas demais. A maioria das pessoas passa por cima desses acontecimentos chatos. Mas pra nós, isso dói mais. Machuca, entristece.
   Me desculpo por não estar escrevendo nada que preste. Só estou muito confusa e muito atordoada nos últimos dias. Esse final de semana tenho compromissos e um deles é festa de família, então me desejem sorte. Espero não me sentir um lixo e não querer sair correndo de lá também.
   Semana que vem eu coloco em dia os comentários nos posts de vocês que eu já li e adorei! Só não quero comentar com barulho na minha cabeça. Quero comentar do jeitinho que vocês merecem. Quado eu falo com a alma. Quando eu possa transparecer tudo aquilo que sinto!
   Fiquem em paz e tenham um bom final de semana! Bjs

 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Irritabilidade


   Tenho a paciência muito curta, de verdade. Posso ser chata, estourada. Pode ser mesmo tudo culpa minha, ou eu convivo com pessoas egoístas demais. Só sei que me irrito com facilidade. E ultimamente estou bem nervosa.
   Não entendo os motivos de isso acontecer comigo. Fico muito confusa. Não sei mais se é acaso, se alguma força infinita que me testa ou se simplesmente eu sou sempre a vilã impaciente, que não aceita nada que contrarie meus princípios. Só sei que pessoas com o mínimo de educação e respeito costumam cruzar o meu caminho e testar minha paciência todos os dias. E isso me faz perder o controle. Controlar o incontrolável é muito difícil pra mim, ou mesmo impossível.
   Torraram meu saco o dia inteiro hoje e agora, exatamente as 00:45 os inquilinos da casa de trás da minha, que é  dos meus pais também, estão berrando fazem umas 2 hs. Me revolta demais a falta de educação. E ter de ficar quieta enquanto pessoas que moram na minha casa fazem a maior zona, enquanto eu mal saio do quarto e respeito todo mundo. A minha vontade é fazer como já fiz anteriormente, de abrir a janela e encher de osso. Eu estremeço por dentro de vontade de colocar pra fora tudo o que penso a respeito disso. Mas como já pirei com eles anteriormente, meus pais me criticam. Quem ta errado são eles e quem tem que engolir sapo, controlar impulso e não abrir a boca pra nada sou eu.
   O meu terapeuta disse que guardar as coisas que me incomodam me prejudica e que eu devo falar. Mas que por outro lado eu preciso me controlar. Portando, não sei como agir. Estou muito incomodada, muito nervosa, muito irritada e não posso fazer nada. Me faz muito mal ter de me calar, mas estou tentando melhorar, então não sei o que fazer. Só sei que coisas que me irritam me fazem muito mal e eu não sei se vai ser possível mudar essa situação.
   As pessoas não querem e não gostam de pessoas que reclamam. Mas em primeiro lugar: Vocês estão satisfeitos com o mundo em que vivem? Eu não estou! E terapia nenhuma vai me fazer mudar de ideia sobre isso. Pessoas egoístas me fazem mal, pessoas mal educadas me fazem mal, gente estúpida e arrogante me faz mal. Saber que tem tanta coisa errada por aí e eu não posso fazer nada me faz um mal imenso e eu não vou mudar quanto a isso, eu sei.
   A vontade de desistir de tudo sempre volta! Sempre! Estou cansada de pensar que agora vai ficar tudo bem até que...começa tudo de novo.
   Eu juro que não procuro por isso. Eu posso até criar algumas situações, mas a grande maioria delas é causada por outros! As pessoas me irritam, me provocam.
   Como um amigo meu disse esses dias: "Não sei como as pessoas andam pelas ruas com seu egoísmo, criticando a todos e vivendo apenas por seus próprios interesses".
   O egoísmo é imenso e está na maioria das pessoas. São o mesmo tipo de pessoas que faziam eu me sentir tão pequena ao ponto de querer sumir. 
   Pois agora descobri que tenho um sonho. Tenho esperança. Que o mundo realmente exploda em 2012!   Sinceramente acho que não tem jeito e eu não aguento mais. Tenho nojo de pessoas egoístas e vivo no meio delas. O mundo parece estar ao contrário. A grande maioria das pessoas são pessoas péssimas e pessoas de bom coração são muito, mas muito raras. Provavelmente por estarem todas escondidas por aí, com medo de serem jogadas nesse imenso ninho de cobras.
   Fico feliz em poder dividir tais situações com vocês. Eu preciso falar, não consigo guardar tudo pra mim. Se não posso por pra fora tudo que sinto como de costume, fico feliz em poder desabafar de alguma forma.
   Acho que não preciso de terapeuta, só uma paulada (ou várias) na minha cabeça resolveria. Só partindo pra outra. 
   Eu simplesmente me sinto deslocada, seja lá qual for o local onde me encontro. Me sinto perdida, me sinto um alienígena. Preciso de paz, preciso fugir de tudo isso que me faz mal. Só quero me livrar dessas pessoas.   Quero que o mundo acabe, que tudo se torne deserto!



terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sair de casa


   Hoje tive mais uma sessão de terapia. Não dormi direito e foi com um humor terrível. Mas acabei melhorando com o passar das horas. Ele aumentou a dose do medicamento de 50mg pra 100mg e me conversou bastante comigo. O terapeuta é muito legal. Mas precisar disso é que não é muito bom.Tudo bem na teoria, o problema é por tudo em prática.
   Nos últimos 15 dias estive melhor, mas também ninguém pisou no meu calo e acredito que esse seja o maior motivo da calmaria. Mas a partir do momento que alguém me tirar do sério certamente minha reação será a mesma de sempre.
   Eu costumo fugir dos encontros que as pessoas me convidam. Posso até dizer que vou e acreditar mesmo nisso, mas acabo inventando desculpas pra não ir. Pra continuar na toca, escondida de tudo. Sair e ver pessoas me faz passar por mais situações críticas que me fazem mal. E se é pra piorar, prefiro ficar longe de tudo e de todos.
  Pessoas me olhando, me analisando, me tratando mal, tudo isso me deixa triste. Outro dia fui até numa farmácia comprar soro pra limpar os pontos da castração de uma das minhas gatinhas e haviam umas 5 funcionárias paradas na porta da loja. Entrei e todas me olharam inteira e ninguém me atendeu. Eu cumprimentei e ninguém me respondeu. E invisível eu não sou, pois todas fizeram questão de me olhar com cara de nojo, como se eu fosse assaltar a loja.
   Pra quem não me conhece, eu tenho um visual meio diferente também. Não gosto de coisas coloridas e não costumo me arrumar muito. Uso roupas pretas, tênis all star e quase sempre, óculos escuros. Me sinto menos visível assim, mas acontece o contrário. As pessoas me olham e me olham com nojo, com receio. Não me atendem bem em lugar nenhum. Já cheguei a ir comprar uma camiseta numa loja e a vendedora antes de tudo me disse que a máquininha do cartão de crédito não estava funcionando. Então eu respondi que o pagamento seria a vista e ela ficou toda sem jeito. Lógicamente, nunca mais entrei na loja.
   Me sinto mal andando pelas ruas, sobretudo desta cidade, onde as pessoas são bem preconceituosas e presas a costumes antigos. Cidadezinha do interior. São pessoas mal educadas, grossas, arrogantes e egoístas. Claro que não todos, mas a maioria é assim. Cidade com muitos micro empresários que tem um boteco na esquina e se sentem donos de multinacionais. E tratam os outros como subordinados. Ninguém para pros pedestres atravessarem as ruas, o egoísmo é tão evidente que entristece. Os comerciantes só atendem bem aqueles que fazem seus olhos brilhar! Aqueles que deixam transparecer o quanto são ricos. O maior objetivo de vida por aqui é enriquecer e esfregar isso na cara da sociedade. A arrogância é um traço muito forte na população daqui. As pessoas costumam olhar pra quem é simples de um jeito que as façam sentir-se pequenas. Por isso andar por estas ruas me faz mal, me cansa, me irrita. Eu acabo encarando as pessoas e querendo jogar na cara delas tudo aquilo que penso de pessoas assim.
   Esse é o meu maior problema em sair e enfrentar o mundo pra poder estar nos lugares com pessoas que eu gosto e que gostam de mim, que são raras.
Simplicidade, amor, compaixão, valores interiores são o que me fazem bem. O resto é o resto. Mas é esse resto que a sociedade exige que a gente tenha e é isso que me faz tão mal.
   Eu não quero ser igual a eles, eu sou diferente e vou continuar sendo. A terapia e a medicação podem diminuir os sintomas, mas jamais vão poder mudar o que eu sou. E a sociedade jamais iria me aceitar. Me sinto um peixe fora d'água. Mas prefiro ser assim do que ser igual a todo mundo. Prefiro ser oprimida do que saber que estou oprimindo outras pessoas e causando sofrimento.
   Bom pessoal, por hoje era isso! Agradeço muito a cada um que está acompanhando o blog e espero tê-los sempre por aqui. Isso me ajuda, me conforta, me acalma. Saber que estou "conversando" com pessoas que me entendem e das quais não preciso esconder nada, me faz um bem enorme.
   Obrigada a cada um de vocês!
   Bjs

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Mais um pouco sobre mim


   Além de contar pra vocês sobre o meu momento atual, vou contar como tudo começou e como as coisas foram se desenvolvendo pra mim.
   Perdi pessoas muito queridas quando estava passando de criança pra adolescente, por volta dos 11, 12 anos de idade. Pelo que eu me lembro, foi a partir disso que as coisas se tornaram difíceis pra mim. Eu sabia o que era a morte, pois sempre tive muitos animais e perdi vários deles. Mas nunca fiz a ligação, nunca sequer parei pra pensar que poderia perder uma pessoa que eu amava. Até que ouvi minha mãe chorando no telefone e dizendo que meu avô estava com câncer. Eu sabia bem o que isso significava e me desesperei. Depois disso foram 2 anos de luta e quando ele estava no auge da doença veio a surpresa. Perdemos minha avó. Assim, de repente. De um dia pro outro quando estávamos todos preocupados com a situação do meu avô, ela se foi. Poucos meses depois, depois de lutar muito, ele também se foi. Ficava num quarto nos fundos da parte mais antiga do hospital, na parte térrea. Havia no corredor ao lado uma janela grande e linda, como nos filmes antigos. De lá eu ficava observando o jardim e pensando em tudo que estava acontecendo e acreditava que ele fosse se recuperar, mesmo no fim, eu não queria acreditar que o perderia também. Eu era muito apegada a eles, muito unida, os via quase que diariamente e eles sempre foram muito carinhosos comigo.
No dia 3 de novembro de 2000, ele se foi. E deixou um buraco enorme na minha alma. A transição de criança pra adolescente foi muito difícil pra mim. Enquanto todas as meninas estavam vivendo intensamente aquela mudança, estavam aproveitando, dançando, curtindo cada detalhe. Eu só queria continuar sendo criança e tê-los de volta.
   Depois disso vieram as críticas por eu ser diferente. Muitas críticas. Por eu ser sério, magrinha, por não ter nenhum namoradinho, por não ser atraente, por ser tímida, por gostar de ser criança. Enfim, milhares de criticas por eu não seguir aqueles padrões que todo mundo exige que a gente siga.
   Chorei muito, me entristeci muito, quis deixar de frequentar a escola por diversas vezes. Me sentia um lixo perto das outras meninas. E desde bem criança sempre fui criticada por ser diferente. As outras meninas me julgavam por eu não ver diferença nas pessoas e ser amiga das meninas que não tinham amigas. Nunca diferenciei uma pessoa da outra por nada. Se a pessoa me agrada eu vou estar perto dela e me dedicar ao máximo, eu simplesmente não consigo ver diferença nenhuma e sempre fui assim.
   Depois de muitos anos assim, sendo diminuída, rebaixada, humilhada. Me colocaram numa turma de pessoas que eu não conhecia, mas que eram pessoas maravilhosas cujo alguns deles são meus amigos até hoje. Eram os chamados "excluídos" da escola. Todos aqueles que eram criticados por não seguirem padrões, foram os meus melhores amigos. E na maioria homens, pois pras meninas eu ainda era um lixo. Era vergonhoso ter uma amiga como eu. Então tive muitos amigos homens. Eles eram inocentes e eu também. Nossa amizade foi e continua sendo pura e verdadeira, sem interesses e sem julgamentos. A partir daí comecei a ter mais auto-confiança.
   Não fui uma adolescente muito tranquila. Era bem revoltada, bem agressiva, bem problemática e causei muitos problemas aos meus pais, que constantemente eram chamados na escola. Mas eu não cometia nenhuma maldade, apenas defendia meus ideais e em primeiro lugar, não queria e não aceitava preconceito nenhum. Queria mudar, queria revolucionar e acabava quebrando tudo. Tem professores que certamente tem calafrios só de me ver na rua.
   Com 15 anos mais uma paulada na cabeça. Perdi um primo que eu sempre considerei irmão, ele com 17 anos, faleceu num acidente de carro. Isso me abalou muito. Depois disso comecei a beber com muito exagero. Às vezes dava um jeito de beber antes até de ir pra escola, as 7 hs da manhã. Chegava em casa e passava as tardes bebendo. Quando meus pais chegavam, lá estava eu, deitada na cama pra que ninguém percebesse o meu estado. Só via tudo rodando. E passei minha adolescência assim.
   Montei uma banda (eu canto e toco alguns instrumentos) e fui ser feliz com meus amigos! A música me ajudou muito, sempre. Conheci muita gente maravilhosa. As pessoas mais marcantes entraram na minha vida pela música.
   Lá pelos 17 anos comecei a sentir a maioria dos sintomas. Não tinha internet na época e nem informação nenhuma sobre problemas psicológicos. Por muito tempo tudo parecia normal pra mim. A minha possessividade tomou conta de mim em todos os relacionamentos amorosos e na verdade, toma conta de mim até hoje. Queria as coisas do meu jeito e se não fosse assim, eu surtava e ia até os extremos pra conseguir o que queria. E eu ainda sou assim. Só não sou quando não pisam no meu calo, mas se pisarem eu não sei me controlar.
    Comecei a me cortar mais ou menos com essa idade, 17 anos. Passei madrugadas geladas no inverno da serra gaúcha (temperaturas negativas), sem roupa, deitada no chão do quarto chorando e vendo meu sangue escorrer. Eu simplesmente só me sentia melhor assim. Precisava de alguma coisa que pudesse aliviar a minha dor e o sangue fazia eu me sentir melhor. Infernizei a vida de alguns amigos.      Eu queria atenção, queria carinho, queria amor. Queria um amor que nunca tinha vivido, ou talvez, só quisesse um novo amor, que me fizesse sentir viva. E fui rejeitada. Fui muito amada, por alguns que inevitavelmente perderam a paciência comigo e chegaram a dizer que me odiavam. Mas também fui rejeitada e isso me destruiu.
   Meu pai teve suspeita de câncer e eu surtei de vez. Bebia até pra ir no hospital ficar com ele. Mas depois de um ano morrendo por dentro, ele melhorou. A lesão sumiu e ficou tudo bem. Mas vivo com um medo imenso de passar por aquilo de novo.
   Hoje tenho a maioria dos sintomas bem definidos. Como já disse, estou me tratando a pouco tempo, mas ainda tenho tido dificuldades. Paciência não é o meu forte e muito menos alegria demais.
   Passo dias bem, tento me ocupar com outras coisas que me fazem bem, mas ainda assim. Só eu sei o que eu passo por dentro. O sorriso é só pra esconder a verdadeira dor, o verdadeiro eu. A maquiagem esconde um olhar triste e cansado. A esperança é como um quadro que eu pinto todos os dias. Não é a minha verdade, não é real. Eu a invento, eu a desenho. Há dias em que eu a deixo de lado e me permito chorar.    Ainda passo noites em claro pensando em como vai ser daqui pra frente já que não tenho planos nem expectativas.
   O que sei é que não aguentei mais viver sem ajuda, eu preciso falar, eu preciso colocar pra fora. Conversarei com vocês então, e com o terapeuta. Espero sinceramente que isso possa me proporcionar pelo menos dias melhores. E desejo o mesmo a vocês! Que tenham dias melhores, momentos melhores e que possam viver cada momento sem pensar em como será o próximo. Como disse Camila, no final do filme indicado pela Lidiana, Nome próprio: "Algumas vezes quebram minhas pernas, chutam minha cara, pisam em meus dedos. Eu sobrevivo. Tenho sobrevivido. Sou marcada, sim. Mas faço valer cada uma das minhas cicatrizes".

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

(Re) Apresentação


 Primeiramente gostaria de me apresentar aos que não me conhecem e falar mais um pouquinho de mim pra quem conhece e entende a necessidade de eu ter mudado de blog e de nome. Infelizmente algumas pessoas que não me suportam muito e insistem em me botar pra baixo e ferrar com a minha vida, estavam acompanhando o outro blog pra poder conhecer meus pontos fracos e poder agir contra mim a partir disso. Portanto lá, falarei sobre coisas menos pessoais. E dividirei com vocês os detalhes da minha vida. Pois confio, admiro, respeito e torço muito por cada pessoa que passa por esse tipo de dificuldade e muitas vezes não sabe mais pra onde correr.
   Tenho 23 anos, atualmente não estou trabalhando. Passo a maior parte do tempo trancada dentro do quarto. Tenho transtorno de personalidade borderline e sofro muito com isso. Passo períodos bem e depois de dias tranquilos parece que o mundo desaba sobre mim e minha única vontade é de que tudo acabe. Pensei em terminar com a minha vida incontáveis vezes, mas nunca tive coragem para tanto. Mas ainda assim, não tenho nenhum plano pro futuro, não me imagino como mãe, nem acho possível existir uma vida feliz.
   Pra mim, um mundo onde pessoas morrem de fome enquanto outros tão fúteis e egoístas ão se importam com nada além de seus próprios interesses. Não vejo nada de animador em envelhecer, ficar doente, morrer sentindo dor em meio ao sofrimento. Não concordo com o fato de você precisar trabalhar 30 anos, 8 hs por dia e acabar trabalhando mais do que vivendo. Você trabalha pelo dinheiro e deixa a vida passar e quando finalmente tem tempo pra aproveitá-la melhor, está velho e doente.
   Me sito perdida em relação a tudo nesse planeta, sinto que não há lugar pra mim aqui. Eu simplesmente não me encaixo nos padrões de nada. Não sou simpática com qualquer um, não costumo fazer coisas pra agradar os outros. Sou muito explosiva, compulsiva, possessiva. Sou vista como chata, nervosa, briguenta e manipuladora, por pessoas preconceituosas que nada sabem, além de julgar.
   Tenho um medo maior que qualquer coisa, de viver por muito tempo. Não importa como, mas eu quero sair logo daqui. Posso até ter mais controle, me esforçar por algum tempo, mas a verdade é que eu não quero viver por muito tempo. E muitas vezes não quero viver por tempo nenhum.
   Sou uma pessoa complexa demais pra se resumir em um único post. Mas bem basicamente é isso. Pretendo contar pra vocês como anda minha vida, isso me faz muito bem. Se eu tivesse que guardar tudo pra mim tenho absoluta certeza de que seria bem pior.
Sinto necessidade de conversar com pessoas que entendem o que eu sinto e que não vão me culpar, me julgar e principalmente não vão usar minhas fraquezas pra me agredir.
   Até uns 15 dias atrás eu não me tratava, não fazia terapia, nem tomava medicação. Seguindo o conselho da Verônika e vendo que cheguei ao meu limite, resolvi procurar ajuda. Não procurei ajuda antes por medo do que minha família iria dizer e por medo de causar preocupação. Disse que estava com problemas de humor, mas não dei detalhes e acabei indo ao psiquiatra. A princípio ele me receitou lamitrigina. Farei alguns exames e terapia a cada 15 dias. E pretendo informá-los sobre os acontecimentos seguintes. Me sinto melhor depois de iniciar a medicação. Mas não sei se realmente está fazendo efeito, ou se só estou passando por uma fase tranquila, como já aconteceu outras vezes. Mas enfim,vamos ver no que vai dar. Não tenho muita esperança, mas preciso tentar alguma coisa.
   Meu maior objetivo com esse blog, além de continuar o trabalho feito no anterior, é ajudar pessoas como eu, sejá lá qual for o motivo da aflição, a se sentirem mais amparadas. Que essas pessoas possam ter a certeza de que não estão sós como pensam, mas que existem várias pessoas enfrentando o mesmo problema e que podemos nos ajudar, pois só nós conhecemos nossos motivos e nossos sentimentos.
   Espero poder ajudá-los. E será um prazer dividir parte da minha vida com pessoas tão queridas!
   Desde já agradeço a visita! E voltem sempre!