terça-feira, 8 de novembro de 2011
Sair de casa
Hoje tive mais uma sessão de terapia. Não dormi direito e foi com um humor terrível. Mas acabei melhorando com o passar das horas. Ele aumentou a dose do medicamento de 50mg pra 100mg e me conversou bastante comigo. O terapeuta é muito legal. Mas precisar disso é que não é muito bom.Tudo bem na teoria, o problema é por tudo em prática.
Nos últimos 15 dias estive melhor, mas também ninguém pisou no meu calo e acredito que esse seja o maior motivo da calmaria. Mas a partir do momento que alguém me tirar do sério certamente minha reação será a mesma de sempre.
Eu costumo fugir dos encontros que as pessoas me convidam. Posso até dizer que vou e acreditar mesmo nisso, mas acabo inventando desculpas pra não ir. Pra continuar na toca, escondida de tudo. Sair e ver pessoas me faz passar por mais situações críticas que me fazem mal. E se é pra piorar, prefiro ficar longe de tudo e de todos.
Pessoas me olhando, me analisando, me tratando mal, tudo isso me deixa triste. Outro dia fui até numa farmácia comprar soro pra limpar os pontos da castração de uma das minhas gatinhas e haviam umas 5 funcionárias paradas na porta da loja. Entrei e todas me olharam inteira e ninguém me atendeu. Eu cumprimentei e ninguém me respondeu. E invisível eu não sou, pois todas fizeram questão de me olhar com cara de nojo, como se eu fosse assaltar a loja.
Pra quem não me conhece, eu tenho um visual meio diferente também. Não gosto de coisas coloridas e não costumo me arrumar muito. Uso roupas pretas, tênis all star e quase sempre, óculos escuros. Me sinto menos visível assim, mas acontece o contrário. As pessoas me olham e me olham com nojo, com receio. Não me atendem bem em lugar nenhum. Já cheguei a ir comprar uma camiseta numa loja e a vendedora antes de tudo me disse que a máquininha do cartão de crédito não estava funcionando. Então eu respondi que o pagamento seria a vista e ela ficou toda sem jeito. Lógicamente, nunca mais entrei na loja.
Me sinto mal andando pelas ruas, sobretudo desta cidade, onde as pessoas são bem preconceituosas e presas a costumes antigos. Cidadezinha do interior. São pessoas mal educadas, grossas, arrogantes e egoístas. Claro que não todos, mas a maioria é assim. Cidade com muitos micro empresários que tem um boteco na esquina e se sentem donos de multinacionais. E tratam os outros como subordinados. Ninguém para pros pedestres atravessarem as ruas, o egoísmo é tão evidente que entristece. Os comerciantes só atendem bem aqueles que fazem seus olhos brilhar! Aqueles que deixam transparecer o quanto são ricos. O maior objetivo de vida por aqui é enriquecer e esfregar isso na cara da sociedade. A arrogância é um traço muito forte na população daqui. As pessoas costumam olhar pra quem é simples de um jeito que as façam sentir-se pequenas. Por isso andar por estas ruas me faz mal, me cansa, me irrita. Eu acabo encarando as pessoas e querendo jogar na cara delas tudo aquilo que penso de pessoas assim.
Esse é o meu maior problema em sair e enfrentar o mundo pra poder estar nos lugares com pessoas que eu gosto e que gostam de mim, que são raras.
Simplicidade, amor, compaixão, valores interiores são o que me fazem bem. O resto é o resto. Mas é esse resto que a sociedade exige que a gente tenha e é isso que me faz tão mal.
Eu não quero ser igual a eles, eu sou diferente e vou continuar sendo. A terapia e a medicação podem diminuir os sintomas, mas jamais vão poder mudar o que eu sou. E a sociedade jamais iria me aceitar. Me sinto um peixe fora d'água. Mas prefiro ser assim do que ser igual a todo mundo. Prefiro ser oprimida do que saber que estou oprimindo outras pessoas e causando sofrimento.
Bom pessoal, por hoje era isso! Agradeço muito a cada um que está acompanhando o blog e espero tê-los sempre por aqui. Isso me ajuda, me conforta, me acalma. Saber que estou "conversando" com pessoas que me entendem e das quais não preciso esconder nada, me faz um bem enorme.
Obrigada a cada um de vocês!
Bjs
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